LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - V,9

    9 
    1 Cum autem semel daretur consilium a medicis, et instanter suaderetur a fratribus, ut pateretur sibi per remedium subveniri cocturae, humiliter vir Dei assensit, quia salutiferum hoc simul et asperum esse cernebat. 
    2 Vocatus itaque venit chirurgicus, instrumentum ferreum igni submittens ad faciendum cocturam. 
    3 At Christi servus corpus iam horrore concussum confortans, sicut amicum coepit ignem alloqui, dicens: ”Mi frater ignis, caeteris rebus aemulandi decoris, virtuosum, pulchrum et utilem te creavit Altissimus (cfr. Sir 1,8.9). 
    4 Esto mihi in hac hora propitius (cfr. Gen 33,10), esto curialis! 
    5 Precor magnum Dominum, qui te creavit (cfr. Ps 47,2); Deut 32,6), ut tumm mihi calorem temperet, quo suaviter urentem valeam sustinere”. 
    6 Oratione finita, contra igne candescens ferreum instrumentum signum crucis edidit, ac deinceps intrepidus persistebat. 
    7 Profundatum est crepitans ferrum in tenera carne, et ab aure usque ad supercilium coctura protracta. 
    8 Quantum irrogaverit ignis ille dolorem, vir ipse sanctus expressit: ”Laudate”, inquit ad fratres, ”Altissimum, quia vere dico vobis, nec ignis ardorem sensi nec carnis ullum dolorem”. 
    9 Et conversus ad medicum: ”Si non est”, inquit, ”caro bene decocta, imprime iterum!”. 
    10 Expertus medicus in invalida carne virtutem spiritus tam potentem miratus est, et divinum hoc miraculum extulit dicens: ”Dico vobis, fratres, vidi mirabilia hodie (cfr. Luc 5,26)”. 
    11 Quia enim ad tantam pervenerat puritatem, ut caro spiritui et spiritus Deo harmonia mirabili concordarent, divina ordinatione fiebat, ut creatura Factori suo deserviens (cfr. Sap 16,24), voluntati et imperio eius mirabiliter subiaceret.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - V,9

    9 
    1 Como, uma vez, por conselho dos médicos e por insistente persuasão dos frades, tivesse que se submeter a um tratamento de cauterização, o homem de Deus consentiu humildemente, porque viu que isso seria ao mesmo tempo salutar e áspero. 
    2 Foi, então, chamado o cirurgião, que colocou no fogo o instrumento de ferro para fazer a cauterização. 
    3 Mas o servo de Cristo, confortando o corpo já abalado pelo horror, começou a falar ao fogo como amigo, dizendo: “Meu irmão fogo, o Altíssimo criou-te poderoso, bonito e útil, com uma beleza que as outras criaturas invejam. 
    4 Sê-me propício nesta hora, sê-me cortês! 
    5 Peço ao grande Senhor que te criou, que tempere pra mim o teu calor, para que queime suavemente e eu possa aguentar”. 
    6 Terminada a oração, fez o sinal da cruz sobre o instrumento de ferro incandescente e depois continuou intrépido 
    7 O ferro penetrou crepitando na tenra carne, estendendo-se a cauterização da orelha até o supercílio. 
    8 Sobre a dor causada por aquele fogo, o próprio santo contou, dizendo aos frades: “Louvai o Altíssimo, porque eu vos digo que, na verdade, nem senti o ardor nem dor alguma da carne”. 
    9 E, virando-se para o médico: “Se a carne ainda não está bem queimada, põe de novo!”. 
    10 O médico, percebendo tão poderosa virtude em carne tão inválida, ficou admirado e exaltou o milagre divino dizendo: “Eu vos digo, irmãos, hoje eu vi maravilhas!”. 
    11 E porque tinha chegado a tão grande pureza que a carne estava de acordo com o espírito e o espírito com Deus numa harmonia admirável, aconteceu, por ordenação divina, que a criatura, servindo a seu Autor, submeteu-se à vontade e ao comando do santo de forma tão admirável.