LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VI,1

Caput VI - De humilitate et obedientia et de condescensionibus divinis sibi factis ad nutum. 

1 
1 Omnium virtutum custos et decor humilitas, copiosa virum Dei ubertate repleverat. 
2 In propria quidem reputatione nihil erat nisi peccator, cum in veritate speculum esset et splendor omnimodae sanctitatis. 
3 Super hanc studuit aedificare se ipsum, ut sapiens architectus fundamentum praeiaciens (cfr. 1Cor 3,10), quod a Christo didicerat. 
4 Dicebat, propter hoc Filium Dei de altitudine sinus paterni ad nostra despicabilia descendisse, ut tam exemplo quam verbo Dominus et Magister humilitatem doceret. 
5 Propter quod studebat tamquam Christi discipulus in oculis suis et aliorum vilescere, a summo dictum esse Magistro commemorans: Quod altum est apud homines, abominatio est apud Deum (Luc 16,15). 
6 Sed et verbum hoc dicere solitus erat: ”Quantum homo est in oculis Dei, tantum est et non plus”. 
7 Stultum proinde iudicans mundanis extolli favoribus, gaudebat de opprobrüs et de laudibus tristabatur. 
8 Malebat quidem de se vituperium audire quam laudem, sciens, quod hoc ad se emendandum induceret, illa impelleret ad cadendum. 
9 Et ideo saepe cum populi merita in eo sanctitatis extollerent, praecipiebat alicui fratri, ut in contrarium verba ipsum vilificantia suis auribus inculcando proferret. 
10 Cumque frater ille, licet invitus, eum rusticum et mercenarium, imperitum et inutilem diceret, exhilaratus tam mente quam facie respondebat: 
11 “Benedicat tibi Dominus (cfr. Num 6,24; Ps 127,5), fili carissime, quia tu verissima loqueris, et talia filium Petri Bernardonis decet audire”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VI,1

Capítulo 6 – Sobre a humildade e a obediência e sobre as condescendências divinas feitas ao seu desejo. 

1 
1 A humildade, defesa e ornamento de todas as virtudes, tinha cumulado o homem de Deus com uma produtividade abundante. 
2 No seu próprio modo de ver ele não passava de um pecador, quando, na verdade, era um espelho e esplendor de todo tipo de santidade. 
3 Como um arquiteto sábio, esforçou-se por edificar a si mesmo sobre ela (a humildade), como aprendera de Cristo. 
4 Dizia que por isso o Filho de Deus tinha descido das alturas do seio paterno para as nossas coisas desprezíveis, para ensinar a humildade, Senhor e Mestre, por exemplo e por palavra. 
5 Esforçava-se por isso, como discípulo de Cristo, por tornar-se desprezível aos seus olhos e aos dos outros, recordando o que foi dito pelo sumo Mestre: O que é elevado para os homens, para Deus é abominação (Lc 16,15). 
6 Mas também costumava dizer o seguinte: “Quanto o homem é diante de Deus, é isso e nada mais”. 
7 Por isso achava um erro ser agraciado com os favores humanos, alegrava-se com os opróbrios e se entristecia com os louvores. 
8 Preferia ouvir que o criticavam e não que o elogiavam, sabendo que as críticas o levavam a emendar-se, mas os louvores o empurravam para cair.
9 Por isso, muitas vezes, quando as pessoas exaltavam nele os méritos da santidade, mandava a algum frade que, pelo contrário, dissesse palavras de desprezo inculcando-as em seus ouvidos. 
10 E quando esse frade, mesmo contra a própria vontade, chamava-o de rude, mercenário, inexperiente, inútil, ele respondia todo feliz na mente e no rosto: 
11 “Que o Senhor te abençoe, filho querido, porque tu dizes as coisas mais verdadeiras, e é isso que o filho de Pedro de Bernardone tem que ouvir”.