LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VIII,3

3 
1 Cum igitur animarum salutem viscerosa pietate appeteret et fervida aemulatione zelaret, suavissimis se dicebat repleri odoribus (cfr. Ex 29,18) et quasi unguento pretioso (cfr. Ioa 112,3) liniri, cum sanctorum fratrum per orbem distantium odorifera fama multos audiret ad viam veritatis induci. 
2 Ex talium auditu exsultabat in spiritu, benedictionibus omni acceptione dignissimis (cfr. Tit 1,15) fratres illos accumulans, qui verbo vel opere ad Christi amorem inducerent peccatores. 
3 Sic etiam qui religionem sacram iniquis violarent operibus, maledictionis eius gravissimam incurrebant sententiam: 
4 ”A te”, inquit, ”sanctissime Domine, et a tota caelesti curia et a me parvulo tuo sint maledicti, qui suo malo exemplo confundunt et destruunt quod per sanctos fratres Ordinis huius aedificasti et aedificare non cessas!”. 
5 Tanta frequenter afficiebatur moestitia super scandalo pusillorum, ut deficere se putaret, nisi divinae fuisset clementiae consolatione suffultus. 
6 Cum autem semel malis turbatus exemplis, anxio spiritu misericordem Patrem precaretur pro filiis, responsum huiusmodi reportavit a Domino: 
7 ”Cur tu, pauper homuncio, conturbaris? An ego te super religionem meam sic pastorem institui, ut me principalem nescias esse patronum? 
8 Hominem simplicem ad hoc te constitui, ut quae in te fecero, non humanae industriae, sed supernae gratiae adscribantur. 
9 Ego vocavi, servabo et pascam (cfr. Is 48,15; Apoc 3,10), et aliis excidentibus altos subrogabo, ita ut, si nati non fuerint (cfr. Mat 26,24), faciam illos nasci, et quantiscumque fuerit impulsibus paupercula haec concussa religio, salva semper meo munere permanebit”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VIII,3

3 
1 Como desejava a salvação das almas com entranhada piedade e por isso tinha um fervoroso zelo, dizia que ficava cheio de suavíssimos perfumes, como se tivesse recebido um precioso unguento quando ficava sabendo que muitos se convertiam ao caminho da verdade graças à odorífera fama dos santos irmãos espalhados pelo mundo. 
2 Quando ouvia essas notícias exultava em espírito, e enchia de bênçãos digníssimas de toda estima aqueles frades que, por palavra ou por obra, levavam os pecadores ao amor de Cristo. 
3 Da mesma maneira, os que violavam com suas obras iníquas a sagrada religião, incorriam na sentença gravíssima de sua maldição. 
4 Dizia: “Por ti, santíssimo Senhor, por toda a corte celestial e por mim, teu pequeno, sejam amaldiçoados os que, com seus maus exemplos, confundem e destroem o que edificaste e não cessas de edificar pelos santos frades desta Ordem!”. 
5 Ficava freqüentemente com tanta tristeza por causa do escândalo dos pequenos, que achava que ia morrer se não fosse sustentado pela consolação da clemência divina. 
6 Mas uma vez em que, perturbado pelos maus exemplos, rezou com ansiedade ao Pai misericordioso por seus filhos, recebeu esta resposta do Senhor: 
7 “Por que te perturbas, pobre homenzinho? Porventura eu te coloquei como pastor sobre esta minha religião para que desconheças que eu sou o patrono principal? 
8 Eu te constitui para isso, homem simples, para que aquilo que eu fizer não seja atribuído à capacidade humana mas à graça divina. 
9 Eu chamei, guardarei e apascentarei, e se alguns caírem vou substituí-los por outros, de modo que, se não tiverem nascido, farei com que nasçam e por mais que esta religião pobrezinha seja sacudida por empurrões, vai permanecer sempre salva por minha proteção”.