LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - VIII,6

    6 
    1 Consideratione quoque primae originis omnium abundantiore pietate repletus, creaturas quantumlibet parvas fratris vel sororis appellabat nominibus, pro eo quod sciebat eas unum secum habere principium. 
    2 Illas tamen viscerosius complexabatur et dulcius, quae Christi mansuetudinem piam similitudine naturali praetendunt et Scripturae significatione figurant. 
    3 Redemit frequenter agnos, qui ducebantur ad mortem, illius memor Agni mitissimi, qui ad occisionem duci (cfr. Is 53,7) voluit pro peccatoribus redimendis. 
    4 Hospitato quadam vice servo Dei apud monasterium Sancti Verecundi de episcopatu Eugubii, ovicula quaedam agniculum peperit illa nocte. 
    5 Aderat sus ferocissima, quae vitae innocentis non parcens, rapaci eum morsu necavit. 
    6 Hoc audito, pius pater mira compassione commotus et Agni sine macula recordatus, lamentabatur pro morte agniculi coram omnibus, 
    7 dicens (cfr. Gal 2,14): ” Heu me, frater agnicule, animal innocens, Christum hominibus repraesentans, maledicta sit (cfr. Iob 24,18) impia, quae te interfecit, nullusque de ea comedat (cfr. Gen 3,17) homo vel bestia”. 
    8 Mirabile dictu! Statim infirmari coepit porca malefica et tribus diebus corpoream poenam exsolvens, ultricem tandem pertulit necem. 
    9 Proiecta autem in vallum monasterii ibique longo tempore iacens, in modum tabulae desiccata, nulli fuit esca famelico. 
    10 Advertat igitur humana impietas, quali poena sit ferienda finaliter, si tam horrenda morte percussa est ferocitas bestialis; 
    11 perpendat et fidelis devotio, quam in servo Dei pietas fuerit admirandae virtutis et copiosae dulcedinis, ut ei applauderet suo modo etiam natura brutorum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - VIII,6

    6 
    1 Repleto também da consideração da origem primeira de todas as coisas, com a mais abundante piedade, chamava a todas as criaturas, mesmo pequenas, de irmão e irmã, porque sabia que elas tinham um princípio comum com ele. 
    2 Mas abraçava mais entranhada e docemente as que apresentam por semelhança natural e figuram pelo significado bíblico, a piedosa mansidão de Cristo. 
    3 Resgatava freqüentemente cordeiros que eram levados à morte, lembrando-se daquele Cordeiro mansíssimo, que quis ser levado à morte para remir os pecadores. 
    4 Numa ocasião em que o servo de Deus estava hospedado no mosteiro de São Verecundo, na diocese de Gúbio, uma ovelha pariu um cordeirinho naquela noite. 
    5 Havia uma porca muito feroz, que não poupou a vida do inocente e matou-o com uma mordida selvagem. 
    6 Ouvindo isso, o piedoso pai, comovido por admirável compaixão e recordando o Cordeiro sem mancha, lamentava a morte do cordeirinho diante de todos, 
    7 dizendo: “Ai de mim, irmão cordeirinho, animal inocente, que representas Cristo para os homens, maldita seja a ímpia que te matou! Que ninguém coma sua carne, nem homem nem animal!”. 
    8 Palavra admirável! A porca malvada começou a ficar doente na mesma hora e, depois de pagar a pena corporal por três dias, chegou finalmente à pena vingadora. 
    9 Jogada no valo do mosteiro, ficou ali por muito tempo, como uma tábua seca, e não foi comida por nenhum animal esfomeado. 
    10 Considere, portanto, a impiedade humana qual a pena que vai feri-la lá no fim, se a ferocidade de um animal sofreu morte tão horrenda. 
    11 E advirta a devoção dos fiéis que admirável virtude e copiosa doçura teve a piedade no servo de Deus se, a seu modo, foi aplaudida também pelos animais.