LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - VIII,9

    9 
    1 Alio tempore ambulans cum quodam fratre per paludes Venetiarum, invenit maximam avium multitudinem residentium et cantantium in virgultis. 
    2 Quibus visis, dixit ad socium: ”Sorores aves laudant Creatorem suum; nos itaque in medium ipsarum euntes, laudes et horas canonicas Domino decantemus”. 
    3 Cumque in medium earum intrassent, non sunt aves motae de foco; 
    4 et quia propter garritum ipsarum in dicendis horis se mutuo audire non poterant, conversus vir sanctus dixit ad aves: ”Sorores aves, a cantu cessate, donec laudes Deo debitas persolvamus!”. 
    5 At illae continuo tacuerunt, tamdiu in silentio persistentes, quamdiu, dictis horis spatiose et laudibus persolutis, a sancto Dei cantandi licentiam receperunt. 
    6 Dante autem eis viro Dei licentiam, statim cantum suum more solito resumpserunt. 
    7 Apud Sanctam Mariam de Portiuncula iuxta cellam viri Dei super ficum cicada residens et decantans, cum servum Domini, qui etiam in parvis rebus magnificentiam Creatoris admirari didice-rat, ad divinas laudes cantu suo frequentius excitaret, ab eodem quadam die vocata, velut edocta caelitus, super manum volavit ipsius. 
    8 Cui cum dixisset: ”Canta, soror mea cicada, et Dominum Creatorem tuo jubilo lauda!”, sine mora obediens canere coepit nec destitit, donec iussu patris ad locum proprium revolavit. 
    9 Mansit autem per octo dies ibidem, quolibet die veniendo, cantando et recedendo eius iussa perficiens.
    10 Tandem vir Dei ait ad socios: ”Demus iam sorori nostrae cicadae licentiam; satis enim nos suo cantu laetificans, ad laudes Dei octo dierum spatio excitavit”. 
    11 Et statim ab eo licentiata recessit nec ultra ibidem apparuit, ac si mandatum ipsius non auderet aliquatenus praeterire.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - VIII,9

    9 
    1 Em outra ocasião, andando com um frade pelas lagunas de Veneza, encontrou uma grande multidão de aves que moravam nos ramos e cantavam. 
    2 Quando as viu, disse ao companheiro: “As irmãs aves louvam ao seu Criador; por isso vamos para o meio delas cantar nossos louvores e horas canônicas”.
    3 Quando entraram no meio delas, as aves não se moveram do lugar; 
    4 e como por causa de sua barulheira eles não podiam escutar um ao outro dizendo as horas, o homem santo virou-se para as aves e disse: “Irmãs aves, parai de cantar até terminarmos as laudes!”. 
    5 Elas se calaram na mesma hora, ficando em silêncio até que, tendo dito as horas com sossego e acabado os louvores, receberam licença do santo para cantar. 
    6 Mas quando homem de Deus lhes deu licença, logo recomeçaram a cantar como costumam. 
    7 Em Santa Maria da Porciúncula, perto da cela do homem de Deus, uma cigarra morava e cantava numa figueira. Como o servo do Senhor, que aprendera a admirar a magnificência do Criador mesmo nas pequenas coisas, ficasse animado com o seu canto para os louvores divinos, chamou-a um dia; e ela, como se tivesse aprendido pelo céu, voou para cima de sua mão. 
    8 Ele lhe disse; “Canta, minha irmã cigarra, e louva o Senhor teu Criador com júbilo!”, sem demora ela obedeceu e começou a cantar; não parou enquanto, por ordem do pai, não voltou para o seu lugar. 
    9 Mas lá permaneceu por oito dias, vindo cada dia, cantando e voltando em obediência a suas ordens. 
    10 Afinal, o homem de Deus disse a seus companheiros: “Demos já a nossa irmã cigarra licença, porque já nos alegrou bastante com o seu canto e nos animou pelo espaço de oito dias”. 
    11 Com a sua licença, ela foi embora logo e não apareceu mais ali, como se não ousasse desobedecer de maneira alguma a sua ordem.