LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - XI,1

Caput XI - De intelligentia Scripturarum et spiritu prophetiae. 

1 
1 Ad tantam autem mentis serenitatem indefessum orationis studium cum continua exercitatione virtutum virum Dei perduxerat, ut, quamvis non habuerit sacrarum litterarum peritiam per doctrinam, aeternae tamen lucis irradiatus fulgoribus, Scripturarum profunda miro intellectus scrutaretur (cfr. Iob 28,11) acumine. 
2 Penetrabat enim ab omni labe purum ingenium mysteriorum abscondita, et ubi magistralis scientia foris stat, affectus introibat amantis. 
3 Legebat quandoque in libris sacris, et quod animo semel iniecerat, tenaciter imprimebat memoriae, quia non frustre mentalis attentionis percipiebat auditu quod continuae devotionis ruminabat affectu. 
4 Quaerentibus aliquando fratribus, utrum sibi placeret quod litterati iam recepti ad Ordinem intenderent studio sacrae Scripturae respondit: 
5 “Mihi quidem placet, dum tamen exemplo Christi, qui magis orasse legitur quam legisse, orationis studium non omittant, nec tantum studeant, ut sciant qualiter debeant loqui, sed ut audita faciant, et cum fecerint, aliis facienda proponant. 
6 Volo”, inquit, ”fratres meos discipulos evangelicos esse sicque in notitia veritatis proficere, quod in simplicitatis puritate concrescant, ut simplicitatem columbinam a prudentia serpentina (cfr. Mat 10,16) non separent, quas Magister eximius ore suo benedicto coniunxit”.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - XI,1

Capítulo 11 – Sobre a compreensão das Escrituras e o espírito de profecia. 

1 
1 Foi o incansável exercício da oração, com a contínua prática das virtudes que levou o homem de Deus a tão grande serenidade de mente, de modo que, embora não tivesse a perícia das Sagradas Escrituras pelo estudo, todavia, irradiado pelos fulgores da luz eterna, perscrutava as profundidades das Escrituras com admirável agudeza da mente. 
2 Pois seu engenho, puro de toda culpa, penetrava o escondido dos mistérios, e onde a ciência dos mestres fica fora, entrava o afeto do amante. 
3 Lia de vez em quando os livros sacros, e o que tinha introduzido alguma vez em seu ânimo, ficava tenazmente impresso na memória, pois não era em vão que percebia com o ouvido da atenção mental o que ruminava com o afeto de uma devoção contínua. 
4 Como os frades lhe perguntaram, uma vez, se gostava que os frades letrados já recebidos na Ordem se aplicassem ao estudo das Sagradas Escrituras, respondeu: 
5 “Gosto, contanto que a exemplo de Cristo, sobre o qual está escrito que mais orava do que lia, não deixem de lado o esforço da oração, e também não estudem só para saber o que terão que falar, mas para porem em prática o que ouviram e proporem aos outros o que já praticaram”. 
6 Disse; “Quero que meus frades sejam discípulos evangélicos, e que assim cresçam no conhecimento da verdade de forma que cresçam ao mesmo tempo na pureza da simplicidade, para que não separem a simplicidade da pomba da prudência da serpente, pois o Mestre exímio uniu-as com sua palavra bendita”.