LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - XI,4

    4 
    1 Alio quoque tempore, cum post reversionem ipsius de ultra mare Celanum praedicaturus accederet, miles quidam supplici eum devotione cum instantia magna invitavit ad prandium. 
    2 Venit itaque ad militis domum, omnisque familia pauperum hospitum exsultavit ingressu. 
    3 Ante vero quam cibum sumerent, iuxta solitum morem vir mente devotus offerens Deo preces et laudes, oculis stabat elevatis in caelum (cfr. Ioa 17,1). 
    4 Oratione completa, benignum hospitem familiariter advocatum in partem sic allocutus est: ”Ecce, frater hospes, tuis victus precibus, ut manducarem, domum tuam intravi. 
    5 Meis nunc cito monitis acquiesce, quoniam non hic, sed alibi manducabis. 
    6 Confitere nunc peccata tua, verae poenitentiae dolore contritus, nec in te remaneat quidquam, quod veridica confessione non pandas. 
    7 Reddet tibi Dominus; hodie vicem, quoniam tanta devotione suos pauperes suscepisti”. 
    8 Acquievit continuo vir ille sermonibus sancti, socioque ipsius universa peccata in confessione detegens, disposuit domum suam (cfr. Is 38,1) et ad mortem suscipiendam se, quantum valuit, praeparavit. 
    9 Intraverunt tandem ad mensam, et incipientibus aliis manducare, hospes subito spiritum exhalavit, iuxta verbum hominis Dei repentina morte sublatus. 
    10 Sicque factum est, hospitalitatis misericordia promerente, ut iuxta verbum Veritatis Prophetam recipiens, mercedem Prophetue acciperet (cfr. Mat 10,41); 
    11 dum per sancti viri praenuntiationem propheticam miles ille devotus sibi contra mortis subitationem providit, quatenus armis poenitentiae praemunitus, perpetuam damnationem evaderet et in aeterna tabernacula (cfr. Luc 16,9) introiret.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - XI,4

    4 
    1 Em outra ocasião, tendo ele, depois de sua volta do ultramar, ido pregar em Celano, um cavaleiro convidou-o com muita insistência, com súplice devoção, para um almoço. 
    2 Foi, então, à casa do cavaleiro, e toda a família exultou com a entrada dos pobres hóspedes. 
    3 Mas antes de começarem a comer, o devoto homem, de acordo com seu costume, oferecendo preces e louvores a Deus, ficou em pé, com os olhos elevados para o céu. 
    4 Quando acabou a oração, chamou familiarmente o bondoso hospedeiro à parte e lhe disse: “Eis, irmão hospedeiro, vencido por tuas preces, entrei em tua casa para comer. 
    5 Agora peço que concordes depressa com minhas admoestações, porque não vais comer aqui mas em outro lugar. 
    6 Confessa agora os teus pecados, contrito pela dor de uma verdadeira penitência, e não sobre em ti nada que não exponhas numa verdadeira confissão. 
    7 Hoje mesmo o Senhor vai te recompensar porque recebeste com tanta devoção os seus pobres. 
    8 O homem concordou imediatamente com as palavras do santo e, descobrindo todos os seus pecados em confissão a um companheiro do santo, dispôs sua casa e se preparou o melhor que pôde para acolher a morte. 
    9 Enfim, sentaram-se todos à mesa e, quando os outros começaram a comer, o hospedeiro exalou de repente o espírito, levado por uma morte repentina, de acordo com a palavra do homem de Deus. 
    10 E assim foi feito que, de acordo com a palavra da Verdade, por mérito da misericórdia da hospitalidade,quem recebe um profeta recebe a mercê da profecia (cfr. Mt 10,41). 
    11 De fato, pelo prenúncio profético do santo homem, aquele cavaleiro devoto tomou providências contra uma morte súbita, pois, preparado pelas armas da penitência, escapou da condenação eterna e entrou nos tabernáculos da eternidade.