LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - XI,9

    9 
    1 Frater quidam Deo devotus et famulo Christi, frequenti cogitatione versabat in pectore, superna fore gratia dignum, quem vir sanctus familiari complecteretur affectu, quem vero tamquam extraneum reputaret extra numerum electorum reputandum a Deo. 
    2 Cum igitur cogitationis huiusmodi crebrius vexatus impulsu, viri Dei familiaritátem vehementer optaret, nec tamen cordis sui secretum revelaret alicui, advocans eum ad se dulciter pater pius, sic allocutus est: 
    3 “Nulla te turbet cogitatio, fili, quoniam te carissimum habens inter praecipue mihi caros, libenter tibi munus meae familiaritatis et dilectionis impendo”. 
    4 Miratus exinde frater factusque devotior ex devoto, non solum in amore crevit hominis sancti, verum etiam per Spiritus sancti gratiae munus donis est maioribus cumulatus. 
    5 Cum autem in Monte maneret Alvernae cella reclusus, unus e sociis magno desiderio cupiebat habere de verbis Domini aliquod scriptum manu ipsius breviter adnotatum. 
    6 Gravem enim qua vexabatur tentationem non carnis, sed spiritus ex hoc credebat evadere, vel certe levius ferre. 
    7 Tali desiderio languens, anxiabatur interius, quia, verecundia victus reverendo patri rem pandere non audebat. 
    8 Sed cui homo non dixit, Spiritus revelavit. 
    9 Portari namque sibi iussit a fratre praedicto atramentum et chartam, Laudesque Domini iuxta fratris desiderium propria manu scripsit et ultimo benedictionem ipsius, dicens: ”Accipe tibi chartulam istam et usque ad diem mortis tuae custodias diligenter”. 
    10 Accipit frater donum illud optatum, et statim omnis illa tentatio effugatur. 
    11 Servatur littera, et cum in posterum miranda effecerit, virtutum Francisci testimonium fuit.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - XI,9

    9 
    1 Certo frade, devoto de Deus e do servo de Cristo, vivia pensando em seu coração que seria digno da graça superna quem fosse distinguido pelo santo com um afeto familiar, mas quem ele julgasse estranho devia ser tido por Deus como fora do número dos eleitos. 
    2 Atormentado freqüentemente pela atuação desse pensamento, desejava veementemente a familiaridade do homem de Deus, mas não tinha revelado a ninguém o segredo de seu coração. Então o piedoso pai chamou-o e lhe disse com doçura: 
    3 “Que nenhum pensamento te perturbe, filho, porque tenho a ti como o mais querido entre os que me são especialmente queridos, de boa vontade te ofereço minha familiaridade e estima”. 
    4 O frade ficou muito admirado com isso e, tornando-se de devoto ainda mais devoto, não só cresceu no amor do homem santo como também por favor da graça do Espírito Santo, foi cumulado de dons maiores.
    5 Quando estava recolhido em uma cela no Monte Alverne, um dos companheiros tinha um grande desejo de ter algum trecho das palavras do Senhor copiado brevemente pela mão do santo. 
    6 Pois achava que ficaria livre de uma grave tentação, não do corpo mas do espírito, que o atormentava, ou certamente suporta-la-ia melhor. 
    7 Sofrendo por esse desejo, estava interiormente ansioso porque, vencido pela vergonha, não ousava manifestar o assunto ao reverendo pai. 
    8 Mas a quem o homem não disse, o Espírito Santo revelou. 
    9 Pois ele mandou ao referido frade que trouxesse tinta e papel, e escreveu Louvores do Senhor com sua própria mão, de acordo com o desejo do frade, e no fim também uma bênção para ele, dizendo: “Recebe para ti este papelzinho e guarda-o diligentemente até o dia de tua morte”. 
    10 O frade recebeu o presente que desejava e toda aquela tentação foi afugentada imediatamente. 
    11 Esse escrito ainda se conserva e, como realizou posteriormente coisas admiráveis, tornou-se um testemunho das virtudes de Francisco.