LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - Miraculis II,4

    4 
    1 Cuiusdam urbis Romae notarii puerulus vix septennis matrem ad ecclesiarn Sancti Marci euntem puerili more sequi desiderans, dum remanere domi compelleretur a matre, per fenestram palatii se proiecit, et ultima quassatione collisus, continuo exspiravit. 
    2 Mater vero, quae nondum longe discesserat, ad sonitum corruentis praecipitium pignoris suspicata, celeriter rediit filiumque reperiens tam miserabili casu repente subtractum, protinus sibi ipsi manus iniecit ultrices ac dolorosis clamoribus totam excitavit viciniam ad lamentum. 
    3 Frater vero quidam, nomine Raho de ordine Minorum, illuc se ad praedicandum conferens, propinquavit ad puerum et fide plenus ait ad patrem: 
    4 “Credisne sanctum Dei Franciscum posse filium tuum a mortuis suscitare (cfr. Act 17,31) propter amorem quem semper ad Christum habuit, pro reddenda vita hominibus crucifixum?”. 
    5 Quo respondente, se firmiter credere et fideliter confiteri servumque Sancti in perpetnum se esse futurum, si tantum a Deo munus per ipsius merita recipere mereretur, prostravit se frater ille cum fratre socio in oratione, ceteros, qui aderant, excitans ad orandum. 
    6 Quo facto, coepit puer aliquantulum oscitare, et apertis oculis brachiisque levatis, se ipsum erexit et statim coram omnibus ambulavit incolumis, per mirandam Sancti virtutem vitae simul redditus et saluti.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - Milagres II,4

    4 
    1 O filhinho de um notário da cidade de Roma, de apenas sete anos, queria acompanhar sua mãe que ia à igreja de São Marcos, como fazem todas as crianças, mas teve que ficar em casa, obrigado pela mãe. Jogou-se pela janela e, batendo-se com um último golpe, expirou imediatamente. 
    2 A mãe, que ainda não tinha ido longe, correu ao ouvir o ruído e, suspeitando da queda de seu querido, voltou depressa e vendo que o filho lhe tinha sido tirado de repente por situação tão miserável, levantou contra si mesma as mãos vingadoras e, com dolorosos clamores, despertou toda a vizinhança para o lamento.
    3 Um frade chamado Raho, da Ordem dos Menores, estava indo para lá para pregar, aproximou-se do menino e, cheio de confiança, disse ao pai: 
    4 “Acreditas que o santo de Deus, Francisco, pode ressuscitar teu filho dos mortos, pelo amor que sempre teve por Cristo, que foi crucificado para dar a vida aos homens? 
    5 Ele respondeu que acreditava firmemente e confessava fielmente, e que seria servo do santo para sempre, se merecesse receber tamanho dom pelos seus merecimentos. Então o frade se ajoelhou em oração com o seu irmão companheiro, animando os outros presentes a orar. 
    6 Feito isso, o menino começou a bocejar um pouco, abriu os olhos, levantou os braços, levantou-se sozinho e, diante de todos, andou incólume, devolvido à vida e à saúde pela admirável virtude do santo.