LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 69

    69. 
    1 Quadam die cum transierit beatissimus pater Franciscus per episcopatum Narniensem, devenit ad castrum quoddam, quod dicitur Sancti Gemini, et evangelizans ibi regnum Dei (cfr. Luc 4,43), a viro quodam timente atque colente Deum (cfr. Act 10,2) satis bonae famae in terra illa, cum tribus fratribus hospitio est susceptus. 
    2 Uxor autem eius a daemonio vexabatur (cfr. Mat 15,22), sicut notum erat omnibus inhabitantibus terram illam, rogavitque beatum Franciscum vir eius pro illa, confidens eam posse ipsius meritis liberari. 
    3 Sed quoniam plus desiderabat in simplicitate sua contemptui haberi, quam de ostensione sanctitatis mundi huius favoribus extolli, facere hoc penitus recusabat. 
    4 Tandem, quia Deus in causa erat, rogitantibus eum multis, victus precibus acquievit. 
    5 Vocavit quoque tres fratres ad se, qui erant cum eo, et in singulis domus illius angulis singulum fratrem constituens, dixit eis: “Oremus, fratres, ad Dominum pro muliere hac, ut iugum diaboli ab ea excutiat (cfr.Gen 27,40) Deus, ‘ad laudem et gloriam’ suam. 
    6 Stemus separatim”, inquit, “in angulis domus, ne spiritus iste malignus nos fugere aut decipere valeat, quaerens diverticula angulorum”. 
    7 Completa quoque oratione (cfr. Iudt 6,16), beatus Franciscus in virtute Spiritus (cfr. Rom 15,13.19) accessit ad mulierem, quae miserabiliter torquebatur et horrende clamabat, et ait: “In nomine Domini nostri Iesu Christi, per obedientiam praecipio tibi, daemon, ut exeas ab ea (cfr. Act 16,18), nec audeas ipsam amplius impedire”. 
    8 Vix verba compleverat, et tam velocissime cum furore atque stridore foras egressus est (cfr. Gen 39,12), quod, propter subitam sanitatem mulieris et tam citissimam obedientiam daemonis, sanctus pater sibi putaret fore illusum. 
    9 Statimque cum rubore de loco illo recessit, divina providentia id gerente, ne posset in aliquo inaniter gloriari. 
    10 Unde factum est, quod cum alia vice per eumdem locum transiret beatus Franciscus, frater Helias cum eo erat, et ecce mulier illa, ut cognovit adventum eius, continuo surrexit (cfr. Act 9,34) et accurrens per plateam, clamabat post (cfr. Mat 15,23) eum ut sibi eloqui dignaretur. 
    11 Ipse vero nolebat ei loqui, sciens eam esse mulierem illam de qua expulerat quandoque virtute divina daemonium. 
    12 At ipsa osculabatur vestigia pedum eius (cfr. Est 13,13) gratias agens Deo (cfr. Act 28,25) et sancto Francisco servo eius, qui de manu mortis liberaverat (cfr. Os 13,14) eam. 
    13 Tandem frater Helias compulit sanctum prece; qui locutus est ei, ceritificatus per multos de infirmitate, ut dictum est, et liberatione sua.

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 69

    69. 
    1 Passando um dia o santo pai Francisco pela diocese de Narni, chegou a um povoado chamado San Gémini. Anunciando aí a palavra de Deus, foi hospedado com outros três frades por um homem que temia e venerava a Deus e tinha muito boa fama naquela terra. 
    2 Sua mulher era perturbada por um demônio, como era do conhecimento de todos na cidade. O marido pediu a São Francisco por ela, confiando que por seus méritos ela poderia ser libertada. 
    3 Mas o santo se recusou absolutamente a fazer isso, porque em sua simplicidade preferia o desprezo em lugar dos favores do mundo pela demonstração de santidade. 
    4 Afinal, porque era para a glória de Deus e muitos estavam pedindo, rendeu-se às súplicas. 
    5 Chamou os três irmãos que estavam com ele e colocou um em cada ângulo da casa, dizendo-lhes: “Irmãos, oremos ao Senhor por esta mulher, para que Deus a liberte do jugo do demônio, para sua glória e seu louvor. 
    6 Vamos ficar nos ângulos da casa para que este espírito maligno não nos possa fugir ou enganar, procurando esconderijo nos cantos”. 
    7 Quando acabou a oração, São Francisco aproximou-se da mulher cheio da virtude do Espírito. Ela se revolvia em convulsões e gritava horrorosamente. Disse o santo: “Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, mando-te por obediência, ó demônio, que saias dela e jamais te atrevas a molestá-la”. 
    8 Logo que acabou de falar, o demônio saiu tão rápido e com tanto furor e barulho que, pela súbita cura da mulher e pela obediência tão pronta do demônio, o santo pai pensou que tivesse sido enganado. 
    9 Saiu envergonhado daquele lugar, por disposição da divina providência, para que não pudesse vangloriar-se de alguma coisa. 
    10 Numa outra vez que o santo passou pelo mesmo local, Frei Elias estava com ele. Quando aquela mulher soube de sua vinda, saiu imediatamente a correr pela praça, pedindo aos gritos que se dignasse falar com ela. 
    11 Ele não queria falar, pois sabia que era a mulher de quem tinha expulsado um demônio pela virtude de Deus. 
    12 Mas ela beijava os rastros de seus pés, dando graças a Deus e a São Francisco seu servo, que a tinha libertado da mão da morte. 
    13 Finalmente, Frei Elias forçou o santo com seu pedido. Falou com ela e foi certificado por muitos, tanto da doença, como já dissemos, como da cura.