LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Segunda Vida (2Cel)

TEXTO ORIGINAL

Secunda Vita (2Cel) - 25

Caput XVII - Qualiter dominum Ostiensem pro Papa petit.

25 
1 Veniens igitur Romam vir Dei (cfr. Iud 13,6), a domino papa Honorio et cardinalibus omnibus magna cum devotione suscipitur. 
2 Siquidem quod fragraverat fama, fulgebat in vita, resonabat in lingua, quibus suppetentibus, indevotioni non restat locus. 
3 Praedicat coram papa et cardinalibus spiritu prompto et fervido, eructans de pleno (cfr. Ps 44,2; 143,13) quidquid spiritus suggerit (cfr. Iob 13,13). 
4 Commoventur in verbo eius montes (Ps 17,8) , et de profundis (cfr. Ps 129,1) visceribus alta trahentes suspiria, lacrimis interiorem hominem (cfr. Rom 7,22; Eph 3,16) lavant. 
5 Praedicatione finita, paucisque familiari collatione cum domino papa praemissis, tandem sic ipsum petendo alloquitur: “Ad maiestatem tantam pauperibus et despectis viris de facili, domine, ut nostis, non datur accessus. 
6 Orbem quidem tenetis in manibus, nec minimis intendere praegrandium rerum negotia sinunt. 
7 Propter quod”, ait, “domine, a vestrae sanctitatis visceribus postulo hunc dominum Ostiensem nobis pro papa concedi, ut, salva semper vestrae praeeminentiae dignitate, possint fratres ad eum tempore necessitatis (cfr. Sir 8,12) recurrere, et ab eo tam defensionis quam gubernationis beneficia reportare”. 
8 Placuit in oculis (cfr. 4Re 10,30) papae tam sancta petitio, moxque super religionem, sicut vir Dei (cfr. Iud 13,6) petierat, dominum Hugonem, tunc Ostiensem episcopum, statuit. 
9 Amplectitur sanctus ille cardinalis gregem sibi commissum, eiusque sedulus nutritius factus, pastor et alumnus usque ad beatum exitum fuit. 
10 Speciali subiectioni praerogativa dilectionis et cura debetur, quam semper sancta Romana Ecclesia Minorum ordini exhibere non cessat. 
Explicit prima particula.

TEXTO TRADUZIDO

Segunda Vida (2Cel) - 25

Capítulo 17 - Como pediu o senhor de Óstia como representante do papa.

25 
1 Por isso o homem de Deus foi a Roma, onde foi recebido com muita devoção pelo Papa Honório e por todos os cardeais. 
2 Na verdade, o que fora perfumado pela fama refulgia na vida, ressoava na língua: diante disso não havia lugar para deixar de ter devoção. 
3 Pregou diante do papa e dos cardeais com inspiração e fervor, transbordando plenamente tudo que o espírito lhe sugeria. 
4 À sua palavra comoveram-se os montes e, puxando altos suspiros de suas entranhas, lavaram o homem interior em lágrimas. 
5 Terminada a pregação, depois de breve e familiar conversa com o Senhor Papa, dirigiu-lhe o seguinte pedido: “Senhor, como sabeis, não é fácil o acesso dos pobres e dos desprezados a tão sublime majestade. 
6 Pois tendes o mundo nas mãos, e os negócios importantíssimos não permitem que cuideis das coisas de importância mínima. 
7 Por isso, Senhor, peço que Vossa Santidade queira conceder-nos como papa o senhor de Óstia, para que, sempre salva a dignidade de vossa preeminência, os frades possam recorrer a ele no tempo de necessidade, conseguindo tanto o benefício do amparo como o da orientação”. 
8 Tão santo pedido foi agradável diante dos olhos do papa, e logo colocou o Senhor Hugolino, então bispo de Óstia, à frente da Ordem, como pedira o homem de Deus. 
9 O santo cardeal acolheu com carinho o rebanho que lhe foi confiado e, feito seu zeloso pai, foi pastor e irmão até sua bem-aventurada morte. 
10 A essa prerrogativa de especial submissão devemos o amor e cuidado que a santa Igreja de Roma nunca deixa de manifestar para com a Ordem dos Menores. 
Aqui termina a primeira parte