LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Secunda Vita (2Cel) - 41

    Caput XII - De quodam clerico ab eo sanato, quem propter peccatum suum peiora passurum predixit.

    41 
    1 Tempore quo sanctus pater iacebat infirmus in palatio episcopi Reatini, canonicus quidam nomine Gedeon, lubricus et mundanus, infirmitate correptus et doloribus undique circumspetus, lectulo decubabat. 
    2 Qui faciens se deferri ante sanctum Franciscum, rogat cum lacrimis, ut ab eo crucis signaculo consignetur. 
    3 Ad quem sanctus: “Cum vixeris olim secundum desideria carnis (cfr. Gal 5,16), non veritus iudicia Dei (cfr. Sir 17,24), quomodo te cruce signabo?”. 
    4 Et intulit: “Ego te”, ait, “signo in nomine Christi (cfr. Act 4,10); tu tamen scito te graviora passurum, si ad vomitum (cfr. Prov 26,11) redieris liberatus”. 
    5 Et subdidit: “Propter peccatum ingratitudinis semper peiora prioribus (cfr. Mat 12,45) inferuntur”. 
    6 Signo itaque crucis in eum facto, statim qui contractus iacuerat, surrexit sanus et in laudem prorumpens: “Ego”, ait, “sum liberatus”. 
    7 Insonuerunt autem ossa renum eius, audientibus multis, veluti cum manu ligna sicca franguntur. 
    8 Paucis autem interlapsis temporibus, Dei oblitus (Iudc 3,7), corpus impudicitiae reddit. 
    9 Qui cum sero quodam coenaret in domo alterius concanonici sui, nocteque illa dormiret ibidem, subito super omnes corruit tectum domus. 
    10 Caeteris autem evadentibus mortem, solus miser interceptus atque interemptus est. 
    11 Nec mirum, si, ut sanctus dixit, secuta sunt peiora prioribus (cfr. Mat 12,45), cum de accepta venia gratum esse oporteat, et duplo displiceat facinus iteratum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Segunda Vida (2Cel) - 41

    Capítulo 12 - Sobre um clérigo curado por ele, a quem predisse que ia sofrer males maiores por causa de seu pecado.

    41 
    1 No tempo em que o santo pai esteve doente no palácio episcopal de Rieti, um cônego chamado Gedeão, sensual e mundano, também estava de cama, doente e com dores por todos os lados. 
    2 Fez com que o levassem a São Francisco e pediu, entre lágrimas, que lhe fizesse o sinal da cruz. 
    3 O santo disse: “Como é que vou fazer o sinal da cruz se vivias outrora de acordo com os desejos da carne, sem temer os juízos de Deus?” 
    4 E acrescentou: “Eu te assinalo em nome de Cristo, mas fica sabendo que sofrerás coisas ainda piores se, depois de libertado, voltares ao vômito”. 
    5 Ainda concluiu: “Quando há um pecado da ingratidão, os castigos são sempre piores que os anteriores”. 
    6 Fez o sinal da cruz, e logo o que estivera deitado e contraído, levantou-se curado e entoando louvores. Disse: “Estou livre”. 
    7 Muita gente ouviu seus ossos estalarem, como quando se quebra lenha seca com as mãos. 
    8 Mas, pouco tempo depois, esquecido de Deus, devolveu o corpo à impureza. 
    9 Numa noite em que tinha jantado em casa de um cônego seu colega, tendo lá ficado para dormir, o teto da casa ruiu de repente sobre todos. 
    10 Os outros escaparam da morte, mas ele não conseguiu e foi esmagado. 
    11 Nem devemos admirar que, como disse o santo, tenham acontecido coisas piores que as anteriores, porque devemos ser agradecidos pelos favores recebidos, e um pecado repetido ofende duas vezes mais.