LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 6

    6. 
    1 Quoddam tamen magnae curialitatis et nobilitatis indicium in eo praecesserat die immediate praecedenti visionem praedictam quod ipsius visionis non modica occasio creditur exstitisse. 
    2 Nam omnia indumenta sua quae de novo sibi fecerat curiosa et cara cuidam pauperi militi donaverat illa die. 
    3 Cum ergo iter arripiens ivisset usque Spoletum ut in Apuliam pergeret coepit aliquantulum aegrotare. 
    4 Sollicitus autem nihilominus de suo itinere, cum se sopori dedisset, audivit semidormiens quemdam interrogantem ipsum quo tendere cupiebat. 
    5 Cui Franciscus cum totum suum propositum revelasset, adiecit ille: “Quis potest tibi melius facere? Dominus aut servus?”. 
    6 Cui cum respondisset: “Dominus”, iterum dixit illi: “Cur ergo relinquis pro servo dominum et principem pro cliente?”.
    7 Et Franciscus ait: “Quid me vis facere, Domine (cfr. Act 9,6)?” 
    8 “Revertere, inquit, in terram tuam (cfr. Gen 32,9) et tibi dicetur quid sisfacturus (cfr. Act 9,7). Nam visionem quam vidisti aliter intelligere te oportet”. 
    9 Evigilans autem coepit de hac visione diligentissime cogitare, 
    10 et sicut in prima visione fuerat quasi totus extravagatus prae magna laetitia prosperitatem desiderans temporalem, 
    11 sic in ista collegit intus se totum, vim eius admirans et considerans adeo diligenter quod illa nocte ultra dormire nequivit. 
    12 Mane itaque facto, versus Assisium revertitur festinanter, laetus et gaudens quamplurimum, exspectansque voluntatem Domini qui sibi haec ostenderat et de salute sua ab ipso consilium sibi dari. 
    13 Immutatusque iam mente, in Apuliam ire recusat et se voluntati divinae desiderat conformare.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 6

    6. 
    1 No dia imediatamente anterior a essa visão acontecera com ele um certo sinal de grande cortesia e nobreza, que parece ter sido uma ocasião não pequena para a própria visão. 
    2 Pois nesse dia dera a um certo cavaleiro pobre todas as suas roupas pomposas caras, que acabara de fazer. 
    3 Mas quando começou a viagem até Espoleto para ir à Apúlia, começou a ficar um pouco adoentado. 
    4 Preocupado com a viagem e já entregue ao sono, ouviu meio adormecido alguém que lhe perguntava para onde ia. 
    5 Quando Francisco lhe contou todo o seu propósito, ele disse: “Quem pode ser melhor para ti? O Senhor ou o servo?” 
    6 Como Francisco lhe respondesse: “Ó senhor”, disse-lhe de novo: "Então por que deixas o senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo?”. 
    7 E Francisco disse: “ Senhor, que queres que eu faça?”. 
    8 - “Volta para tua terra, disse, e te será dito o que haverás de fazer. Pois deves entender de outro jeito a visão que tiveste”. 
    9 Ao despertar, começou a pensar seriamente sobre a visão. 
    10 E como na primeira visão ficara quase todo arrebatado pela enorme alegria, desejando uma prosperidade temporal,
    11 nesta recolheu-se todo dentro de si, admirando e considerando sua força tão diligentemente, que naquela noite não mais conseguiu dormir. 
    12 Quando amanheceu, voltou depressa para Assis, alegre e muito contente, esperando a vontade do Senhor que lhe havia mostrado tais coisas e lhe daria um conselho para sua salvação. 
    13 Já mudado na mente, recusou ir para a Apúlia e quis conformar-se com a vontade divina.