LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Legenda dos Três Companheiros

TEXTO ORIGINAL

Legenda Trium Sociorum - 41

Caput XI - De receptione aliorum quatuor fratrum et de ardentissima caritate: quam habebamt ad invicem primi fratres, et de sollicitudine laborandi et orandi, et de perfecta oboedientia ipsorum.

41. 
1 Videntes igitur homines quod fratres in suis tribulationibus exultabant, orationi sollicite et devote instabant et non recipiebant pecuniam nec portabant et maximam caritatem ad invicem habebant, per quam noscebantur vere esse discipuli (cfr. Ioa 13,35) Domini, multi corde compuncti veniebant ad eos, de offensis quas eis fecerant veniam postulantes. 
2 Ipsi vero ex corde remittebant dicentes: “Dominus parcat vobis”, atque eos de salute sua salubriter admonebant. 
3 Quidam autem ipsos fratres rogabant ut reciperent eos in societatem suam. 
4 Et quia omnes illi sex habebant auctoritatem recipiendi ad ordinem a beato Francisco propter paucitatem fratrum, in societatem suam aliquos receperunt cum quibus sic receptis, statuto termino, omnes ad Sanctam Mariam de Portiuncula sunt reversi. 
5 Quando autem se invicem revidebant, tanta iocunditate replebantur et gaudio ac si nihil recordarentur eorum quae passi fuerant ab iniquis. 
6 Solliciti erant quotidie orare et laborare manibus (cfr. 1Cor 4,12) suis ut omnem otiositatem animae inimicam a se penitus effugarent. 
7 Surgebant in media nocte solliciti et orabant devotissime cum immensis lacrimis et suspiriis. 
8 Amore intimo se invicem diligebant et serviebat unus alteri ac nutriebat eum sicut mater filium unicum et dilectum. 
9 Tantum caritas ardebat in eis quod facile ipsis videbatur tradere corpora sua morti, non solum pro Christi amore, sed etiam pro salute animae vel corporis suorum confratrum.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda dos Três Companheiros - 41

Capítulo 11 – Da recepção de outros quatro frades e da ardentíssima caridade que tinham entre si os primeiros frades, e da solicitude para trabalhar e rezar, e de sua perfeita obediência.

41. 
1 Quando as pessoas viam que os frades exultavam em suas tribulações, insistiam solícita e devotamente na oração e não recebiam nem levavam dinheiro, e tinham o maior amor entre si, pelo qual eram reconhecidos como verdadeiros discípulos do Senhor, muitos ficavam de coração compungido e os procuravam para pedir desculpas pelas ofensas feitas. 
2 Eles os perdoavam de todo o coração, dizendo: “Deus vos poupe”, e os admoestavam saudavelmente acerca de sua salvação. 
3 Alguns rogavam aos irmãos que os recebessem em sua companhia. 
4 Como todos aqueles seis tinham autoridade concedida pelo bem-aventurado Francisco de aceitar novos irmãos na Ordem, porque os frades eram poucos, receberam alguns em sua companhia, e com todos a Santa Maria da Porciúncula. 
5 Ao se encontrarem de novo, ficavam cheios de tanto prazer e contentamento, como se já não se lembrassem dos sofrimentos que os maus lhes haviam infligido. 
6 Todos os dias eram solícitos para orar e trabalhar com as próprias mãos para afastar absolutamente toda ociosidade, inimiga da alma. 
7 Levantavam-se dedicadamente à meia-noite e oravam com muita devoção, com imensas lágrimas e suspiros. 
8 Amavam-se com entranhado amor e cada qual servia e nutria o outro como uma mãe com seu filho único e dileto. 
9 Ardia neles tanta caridade, que lhes parecia fácil entregar seus corpos à morte, não só por amor de Cristo, mas também pela salvação da alma ou do corpo de seus confrades.