LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Vita Sancti Francisci - 4

    4.

    1 Iam novi propositi novum consiliarium quaerit: Deum, quid agat, unicum consulit, nullique mortalium quid intendat exponit.

    2 Solum tamen quemdam sibi prae caeteris familiarem gaudii sui participem esse desiderans, quin potius occasionem, ut verbis aliquando laetitiam mentis exprimeret, quaerens, ipsum ad loca secretiora saepius evocabat;

    3 et quidem sub aenigmate loquens, sed omnino propositi sui secreta non reserans, magnum se pretiosumque thesaurum reperisse dicebat.

    4 Congratulabatur sibi vir ille non modicum, laetanter cum ipso, quotiescumque vocabatur, egrediens et de thesauro utcumque loquenti libentissime colloquens.

    5 Intrabat autem crebro vir novo perfusus spiritu quamdam cryptam, socio deforis exspectante et quid intus ageret penitus ignorante;

    6 ibique cum lacrimis caelestem exorabat in abscondito Patrem (cfr. Mat 6.6), ut, viam ipsius dirigens, suam ei plenius ostenderet voluntatem.

    7 Sic iugiter in oratione persistens, semetipsum graviter affligebat, et donec divinitus qualiter inchoandum cognosceret, affectionum sibi vicissim succedentium importunitas ipsum quiescere non sinebat.

    8 Alternabantur namque in illo gaudium pro gustati dulcedine spiritus, dolor gravissimus pro peccatis praeteriti temporis, timor non modicus de futuris, fervensque desiderium super iis quae conceperat consummandis.

    TEXTO TRADUZIDO

    Vida de São Francisco - 4

    4.

    1 Depois, procurou para o novo plano um conselheiro novo: Deus, consultando só a ele e a nenhum mortal para saber o que tinha que fazer, e explicou o que pretendia.

    2 Mas, desejando partilhar sua felicidade só com um amigo mais familiar que os outros, chamava-o frequentemente para os lugares mais secretos para expressar de vez em quando em palavras a alegria de seu coração.

    3 Sem desvendar totalmente o projeto, falava-lhe em enigmas, dizendo que tinha descoberto um grande e precioso tesouro.

    4 Esse homem se congratulava muito com ele e, sempre que era chamado, saía e conversava sobre o tesouro em toda parte, com a maior boa vontade.

    5 Movido por um espírito novo, ele entrava muitas vezes numa gruta, enquanto seu companheiro esperava fora, sem saber absolutamente saber o que se passava lá dentro;

    6 ali, chorando, pedia ao Pai celeste em segredo (Mt 6,6) que, mostrando-lhe o caminho, revelasse melhor a sua vontade.

    7 Persistindo em contínua oração, infligia-se a si mesmo pesadas penitências e, enquanto não soubesse divinamente por onde devia começar, afetos inoportunos que se sucediam uns aos outros não lhe davam sossego.

    8 Pois nele se alternavam a alegria pela doçura do espírito que experimentava, uma bem pesada dor pelos pecados passados, não pouco medo dos futuros e um fervoroso desejo das coisas que decidira levar a cabo.