LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Liber de Laudibus Beati Francisci - 5

    Caput V - De humilitate.

    5 1 Paupertatis sociam, humilitatis virtutem, maximo coluit studio. 2 Propter hoc fratres humili habitu indui, fune succingi, fratres Minores vocari et nunquam in hoc saeculo voluit sublimari. 3 Requisitus a domino Hostiensi de fratribus promovendis ad ecclesiasticas dignitates, nullo modo consensit, sed tenendos in humilitate respondit. 4 Aderat et beatus Dominicus suos similiter fratres ascendere contradicens. 5 Qui tanta beato Francisco devotione cohaesit, ut obtentam ab eo chordam sub inferiori tunica devotissime cingeret, cuius et suam Religionem unam velle fieri diceret, ipsumque pro sanctitate ceteris sequendum Religiosis assereret. 6 O quam est haec Patrum humilitas et mutua caritas filiis imitanda!7 Profecto et sibi ipsis et Ecclesiae Dei plurimum expedit.

    8 Praelatis et sacerdotibus in tantum deferri volebat, ut fratres non solum eorum manus, sed et pedes dignos osculo reputarent ob reverentiam dignitatis et spiritualis potestatis ipsorum. 9 Dicebat enim: “In adiutorium (cfr. Ps 69,2; Dan 10,13) clericorum missi sumus ad animarum salutem (cfr. 1Pet 1,9), ut quod in illis minus invenitur suppleatur a nobis.10 Recipiet unusquisque mercedem suam non secundum auctoritatem, sed laborem (cfr. 1Cor 3,8).11 Scitote, fratres, animarum fructum (cfr. Sap 3,13) Deo esse gratissimum meliusque illum assequi posse pace quam discordia clericorum”.

    12 Dicebatque: “Estote subiecti (cfr. 1Pet 2,13) Praelatis, ne, in quantum in nobis est, zelus aliquis surgat”. 13 Sed quantum est superioribus subiici, quando propter Deum humanae omni creaturae debemus esse subiecti (cfr. 1Pet 2,13)?

    14 De se autem ipse humiliter sentiens magnus peccator in oculis suis erat, cum vere speculum esset sanctitatis omnimodae et etiam virgo carne, sicut viro sanctissimo fratri Leoni, confessori eius, revelatum per eum et Ministro Generali compertum est. 15 Nam cum beatus Franciscus, sicut iustus prior accusator est sui (cfr. Prov 18,17), se ut maximum peccatorem incusaret in publico, nunquam tamen de fornicatione corporali confitens in privato, miratus confessor et pie, an integer [sit] carne, scire desiderans, quod non extorsisset a Sancto per orationis instantiam, uti erat vir simplex et maximae puritatis, meruit obtinere a Deo, quod virgo esset, et revelatum est ei et signo speciali ostensum.

    16 Dum enim orasset, vidit beatum Franciscum in loco eminenti assistere, ad quem nullus accedere quemve nullus contingere poterat, fuitque sibi dictum in spiritu, per hoc in beato Francisco eminentiam virginalis munditiae designari. 17 Carnem sane sacris ornandam stigmatibus virginalis puritas condecebat.18 Si carnis integritas mediocribus nonnullis in saeculo tam gratiae quam ipsius opere naturae usque in senium perseverat, quis miretur eam Francisco servatam, quem Deus tanta disposuerat gratia sublimare? 19 Maxime itaque humilis maxima factus est exaltatione sublimis.

    TEXTO TRADUZIDO

    Livro dos Louvores de São Francisco - 5

    Capítulo V - A humildade

    5 1 Cultivou com o maior esforço a virtude da humildade, companheira da pobreza. 2 Por isso, quis que os frades se vestissem com hábito humilde, cingidos com uma corda, se chamassem Frades Menores e nunca se exaltassem neste mundo.3 Interrogado pelo senhor de Óstia sobre a promoção de frades às dignidades eclesiásticas, não consentiu de modo algum: respondeu que deviam ser mantidos na humildade. 4 Estava presente também o bem-aventurado Domingos, opondo-se igualmente a que seus frades fossem promovidos. 5 Este se ligou com tanta devoção ao bem-aventurado Francisco que se cingiu, sob a túnica interior, com a corda dele obtida e disse que queria que se tornassem uma única Religião a sua e a dele; e afirmou que ele, pela santidade, devia ser seguido pelos outros religiosos. 6 Como devem ser imitadas pelos filhos esta humildade e amor mútuo dos pais! 7 Certamente é muito bom  para eles e para a Igreja de Deus.

    8 Queria que aos prelados e sacerdotes fosse mostrada tanta deferência que os frades, por respeito a sua dignidade e poder espiritual, julgassem dignos de beijar não somente suas mãos, mas também os pés. 9 Pois dizia: “Fomos mandados em auxílio (cf. Sl 69,2; Dn 10,13) dos clérigos para a salvação das almas (cf. 1Pd 1,9), de modo que aquilo que menos se encontra neles seja suprido por nós. 10 Cada um receberá sua recompensa não de acordo com a autoridade, mas de acordo com o trabalho (cf. 1Cor 3,8).11 Sabei, irmãos, que o fruto das almas (cf. Sb 3,13) é muito agradável a Deus e pode ser melhor conseguido pela paz do que pela discórdia com os clérigos”.

    12 E dizia: “Sede submissos (cf. 1Pd 2,13) aos prelados, para que, no que depender de nós, não surja nenhum ciúme”. 13 Mas, o que é submeter-se aos superiores, quando devemos ser submissos a toda criatura humana por causa de Deus? (cf. 1Pd 2,13).

    14 Como pensava humildemente sobre si mesmo, a seus próprios olhos era um grande pecador, quando na verdade era espelho de toda santidade e também virgem na carne, como foi revelado por ele ao santíssimo varão Frei Leão, seu confessor, e descoberto pelo ministro geral. 15 Pois, como o bem-aventurado Francisco, como o justo que primeiro acusa a si mesmo (cf. Pr 18,17), se acusasse em público como o maior pecador sem nunca se confessar particularmente de fornicação corporal, o confessor, admirado e desejando saber piedosamente se ele era íntegro na carne, como era homem simples e da maior pureza, mereceu saber por de Deus pela insistência na oração que ele era virgem – o que não tinha arrancado do santo. Isso foi revelado e mostrado por um sinal especial.

    16 Pois, enquanto rezava, viu o bem-aventurado Francisco de pé num lugar eminente, ao qual ninguém podia chegar e que ninguém podia tocar, e foi-lhe dito em espírito que dessa maneira se designava a eminência da pureza virginal no bem-aventurado Francisco. 17 A pureza virginal convinha plenamente à carne ornada com os sagrados estigmas. 18 Se a integridade da carne, tanto por obra da graça quanto da natureza, é conservada em alguns medíocres do mundo até à velhice, quem se admira de ter sido conservada em Francisco, a quem Deus resolvera exaltar com tanta graça? 19 O maior humilde foi feito sublime pela maior exaltação.