LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Vita Sancti Francisci - 2

    2.

    1 Aggreditur itaque primum divina miseratio, ad illius multorumque salutem, corporalibus molestiis erroneum revocare, et diutinis attritum languoribus coegit iam solitis dissimilia cogitare;

    2 sicque factum est ut inciperet, etsi non plene, mansuescere sub flagellis, quod antea nesciebat in prosperis.

    3 Tandem namque tantillo virium resumpto, ut baculi adminiculo sustentatus incederet, totam ei circumiacentem contemplanti provinciam quodam modo taedium generabat quidquid visu pulchrum in desiderio prius habuerat; sed et talium amatores stultissimos reputabat.

    4 Sed quoniam prosperitas post periculum facile consuevit incautos decipere, coepit vir iste, arridentibus iterum prosperis, adhuc sibi maiora prioribus de saeculi vanitate promittere, qui plene necdum perversae servitutis iugum excusserat de cervice (cfr. Gen 27,40).

    5 Nam quodam nobili civitatis Assisii vanis laudibus augendisque pecuniis inhiante et ob hoc militaribus ornamentis ad eundum in Apuliam se parante, Franciscus, iam pristino corporis recuperato vigore, non minus divitiarum et gloriae cupidus, eidem nobili sociare se studuit, veluti qui levis animo iam iam paternae correctionis non meminit.

    6 Sed in hoc satis est divini dispositio miranda consilii, quod is, qui iam pridem mansuescere coeperat per languores meritoque ad plenum corrigi flagellatus debuerat,

    7 iam nunc secundo coepit inde mirabilius a suo proposito revocari, unde rationabiliter videbatur ad hoc debuisse potius animari.

    TEXTO TRADUZIDO

    Vida de São Francisco - 2

    2.

    1 Ataca-o assim a divina misericórdia primeiro com doenças corporais, para a salvação dele, que estava perdido, e de muitos outros. Depois de enfraquecê-lo com longas enfermidades, constrangeu-o a pensar em coisas diferentes das que costu­mava,

    2 de modo que, pelos sofrimentos, come­çou, embora não plenamente, a ser manso, o que não sabia fazer na prosperidade.

    3 Por fim, recuperando um pouquinho das forças e podendo andar apoiado numa bengala, quando con­templou a paisagem circunstante teve um certo tédio por tudo que antes achava bonito e desejava; e achava que eram tolos os que o procuravam.

    4 Mas como a prosperidade depois do perigo costuma enganar fácil os incautos, ele, que ainda não tinha sacudido dos ombros o jugo (Gn 27,40) da perversa escravidão, quando voltou a ficar bem começou a reprometer-se vaidades mundanas ainda maio­res.

    5 Pois, preparando-se um nobre de Assis para partir armado para a Apúlia, ávido de vanglórias e de aumentar as riquezas, Francisco, que já recupe­rara o antigo vigor físico e não era menos ambicioso de riquezas e de glória, procurou associar-se ao cavaleiro, com a leviandade de quem já não se recorda da correção paterna.

    6 Mas nisso é preciso admirar bastante a disposição do desígnio de Deus: porque ele que, pelos sofrimentos tinha começado a se tomar dócil bem precisava ser plenamente corrigido por castigos,

    7 e pela segunda vez foi admiravelmente revocado de seu propósito, pois era razoável perceber que devia estar mais animado para isso.