LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Juliano de Spira
  • Vida de São Francisco

TEXTO ORIGINAL

Vita Sancti Francisci - 31

31.

1 Qualiter autem alienorum cordium saepius occulta pandebat, unum de plurimis enarrare sufficiat.

2 Frater quidam Richerius nomine, tam moribus quam genere nobilis, in tantum de beati Francisci meritis praesumebat, ut divinam profecto mereri gratiam crederet, si quis ipsius sancti dono benevolentiae potiretur, aut, si quis illa careret, Dei nihilominus iracundiam mereretur.

3 Cumque ad obtinendum familiaritatis ipsius beneficium vehementius aspiraret, timuit valde (cfr. Gen 32,7) ne quid in ipso vitii vir sanctus occulte forsitan deprehenderet, cuius occasione se ab illius gratia magis elongari contingeret.

4 Igitur huiusmodi timore iam dictum fratrem continue et graviter affligente, nec illo cogitationem suam cuiquam hominum revelante, accidit ipsum die quadam solito more turbatum ad cellulam, in qua beatus Franciscus orabat, accedere.

5 Cuius adventum simul et animum vir Dei cognovit, et benigne ad se vocato sic ait: “Nullus te timor de caetero, nulla te, fili, conturbet tentatio, quoniam carissimus mihi es et inter praecipue caros speciali caritate te diligo.

6 Securus ad me, cum tibi placuerit, venias, et a me libere pro tua voluntate recedas”.

7 Obstupuit non modicum et laetatus est frater in sermonibus sancti patris; et deinceps, de ipsius dilectione securus crevit etiam, sicut crediderat, in gratia Salvatoris (cfr. Tit 2,11).

TEXTO TRADUZIDO

Vida de São Francisco - 31

31.

1 Basta contar um caso entre muitos para mostrar como ele manifestava os segredos dos corações dos outros.

2 Certo ir­mão, chamado Ricério, nobre de família e de costumes, confiava tanto nos méritos do bem-aventurado Francisco, que acreditava que se alguém tivesse a benevolência do san­to mereceria certamente também a graça divina, e se alguém não a tivesse, também mereceria a ira de Deus.

3 E como desejava fortemente alcançar o beneficio da amizade com ele, temia muito (Gn 32,7) que o santo pudesse descobrir nele algum vício escondido, o que o afastaria mais de sua graça.

4 Por isso, estando esse frade já continua e gravemente aflito por esse temor, e sem revelar a nenhuma pessoa o que pensava, aconteceu que um dia, perturbado como de costume, foi à pequena cela em que o bem-aventurado Francisco orava.

5 O homem de Deus pressentiu tanto a sua chegada quanto o estado de ânimo e o chamou com bondade, dizendo: “Desde agora não tenhas medo, meu filho, nenhuma tentação te perturbe, porque és muito querido por mim e eu te amo com especial amor entre os mais queridos.

6 Quan­do quiseres, vem aqui e podes ir livremente quando quiseres”.

7 O frade ficou não pouco espantado e se alegrou com as palavras do santo pai. Depois disso, seguro de seu afeto, ele acreditou também, como antes, na graça do Salvador (Tt 2,11).