LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Vita Sancti Francisci - 36

    36.

    1 Veniensque, aliquantulam apud Sanctam Mariam de Portiuncula moram fecit.

    2 Eo quoque tempore quosdam litteratos ad Ordinem nobilesque recepit, quibus discretione praecipua, que in alios mirabiliter ipse pollebat, curam digne et decenter adhibuit.

    3 Porro vir sanctus, quamvis suum cogeretur vel invitus protelare propositum, tamen a coepto martyrii fervore non destitit, donec tandem tertiodecimo conversionis suae anno ad partes Syriae transmeavit.

    4 Et licet quotidiana tunc inter christianos et infideles praelia gererentur, ipse tamen in Domino confisus (cfr. Phip 2,24) adire Soldanum nec cum evidenti periculo verebatur.

    5 Unde et multis gravibusque verberibus et iniuriis, antequam perveniret, affectus, tandem ipsius Soldani conspectu personaliter est potitus.

    6 Sed narratui longum foret, in quanta mentis constantia coram illo perstiterit, quantaque facundia fidei christianae oblatrantium verba retuderit.

    7 Soldanus vero cum ingenti illum honore suscepit, pluraque sibi et pretiosa valde donaria protulit.

    8 Quae sancto Dei veluti quasdam immunditias vilipendente, ipse Soldanus tamquam de viro cunctis dissimili magis obstupuit, et illi eo diligentius verbis intendit.

    9 Sed nimirum in his omnibus suum vir beatus desiderium non implevit (cfr. Ps 126,5);

    10 cui mirabilius in singularis gratiae praerogativam gerenda suorum Dominus insignia stigmatum reservavit.

    TEXTO TRADUZIDO

    Vida de São Francisco - 36

    36.

    1 Ao chegar, ficou morando um pouquinho em Santa Maria da Porciúncula.

    2 Nessa ocasião, recebeu na Ordem alguns letrados e nobres, com os quais por especial discrição teve o cuidado digno e atencioso que tinha admiravelmente para com os outros.

    3 Todavia, embora obrigado contra a vontade a pro­telar o seu propósito, o santo não desistiu do fervoroso desejo de martírio que já iniciara; até que, no décimo terceiro ano de sua conversão, fez a travessia para a Síria.

    4 E ainda que houvesse combates quotidianos entre os cristãos e os infiéis, confiando no Senhor (Fl 2,24), não teve medo de dirigir-se ao sultão, com evidente perigo.

    5 Tendo enfrentado muitas e graves agressões e ofensas antes de chegar, conseguiu finalmente comparecer diante do próprio sultão.

    6 Mas seria longo narrar a fortaleza com que permaneceu em sua presença, e toda a eloqüência com que rebateu as palavras dos que ladra­vam contra a fé cristã.

    7 O sultão, porém, recebeu-o com grande honra e lhe ofereceu muitos e preciosos presentes.

    8 Como o santo de Deus desprezava tudo aquilo como esterco, o sultão ficou ainda mais admirado diante de um homem tão diferente dos outros e o ouviu com a maior atenção.

    9 Mas nem com tudo isso o ditoso homem viu cumprido o seu desejo (Sl 126,5);

    10 por uma prerrogativa especial, o Senhor lhe reservou o privilé­gio de levar, de forma mais admirável, os sinais das chagas.