LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Vita Sancti Francisci - 50

    50. 1 Apud castellum Sancti Gemini quodam tempore beatus Franciscus praedicans regnum Dei (cfr. Luc 8,1), cum tribus fratribus domum cuiusdam viri devote receptus intravit; 2 cuius uxorem, sicut omnibus loci illius incolis notum fuit, daemonium male vexavit (cfr. Mat 15,22). 3 Pro qua vir sanctus, eo quod hominum timeret applausum, diu antequam acquiesceret exoratus, tandem victus prece, tres fratres suos in tribus angulis domus ad orandum pro illa constituit, et in quartum similiter oraturus ipse secessit. 4 Post haec ad mulierem miserabiliter se gerentem confidenter accessit, et in Christi nomine (cfr. 1Pet 4,14) daemoni ut exiret per obedientiam imperavit. 5 Qui, Domino id ad humilitatem famuli sui conservandam agente, tam subito horrende stridens egressus est, ut vir Dei sibi fuisse illusum certissime crederet, statimque a loco cum vultus suffusione recederet. 6 Unde et alia vice per idem castellum transitum faciens, ipsam mulierem post se, ut ei loqueretur, devote currentem et vestigia pedum eius deosculantem (Est 13,13) videre vel alloqui noluit, donec vere illam daemoniacam fuisse, cunctis hoc attestantibus, tandem vix credidit. 7 Erat quoque in Civitate de Castello quaedam mulier habens daemonium (cfr. Luc 7,33), quae, adveniente illuc beato Francisco, perducta venit ad ipsum. 8 Aderat autem multitudo populi civitatis ad rogandum pro illa, quae se crebra ipsius daemoniacae gravatam conquerebatur insania. 9 Quam ut audivit beatus Franciscus clamantem pro foribus et furentem, scire volens an esset vere daemonium, emisit ad illam primitus quemdam fratrem. 10 Quem illa videns, novit non esse beatum Franciscum et nequiter subridens quasi pro modico duxit illum. 11 Interim autem vir Dei in oratione prostratus, ea tandem completa, ad mulierem fiducialiter est egressus. 12 Cuius illa sustinere non valens praesentiam, volutabatur coram illo cum fremitu super terram. 13 Ipse vero per obedientiam imperavit exire spiritui; qui egrediens nec ad momentum resistere valuit imperanti.

    TEXTO TRADUZIDO

    Vida de São Francisco - 50

    50. 1 Certa ocasião, o bem-aventurado Francisco estava pregando o reino de Deus (Lc 8,1) na vila de Sangemini e entrou com outros três frades, devotamente recebido, na casa de um homem, 2 cuja esposa, como sabiam todos os habitantes do lugar, era ator­mentada pelo demônio (Mt 15,22). 3 Por ela, o santo, que temia o aplauso das pessoas, foi muito implo­rado antes de aceitar. Vencido finalmente pelos pedidos, colocou os três frades a rezar em três cantos da casa, e ficou, ele mesmo, rezando no quarto canto. 4 Depois disso, aproximou~se con­fiante da mulher, que passava tão mal, e, em nome de Cristo (1Pd 4,14), mandou que o demônio saísse por obediência. 5 Este, por obra do Senhor, que assim agiu para conservar a humildade do seu servo, saiu na hora, dando gritos tão horrendos que o homem de Deus achou que tinha sido seguramente iludido e foi embora do lugar, com o rosto abatido. 6 Por isso, quando passou outra vez pela mesma vila, não quis ver nem a falar com aquela mulher, que vinha correndo devotamente atrás para falar com ele e beijava os vestígios de seus pés (Est 13,13). Até que, diante do testemunho de todos, acreditou que ela era mesmo a que tinha sido endemoninhada. 7 Também em Città di Castello, havia uma mulher possuída de um demônio (Lc 7,33), que foi trazida ao bem-aventurado Francisco, quando ele chegou à cidade. 8 Estava presente uma multidão de pessoas da cidade para intercediam por ela, queixando-se de que eram muito molestadas pela loucura da endemoninhada. 9 Quando o bem-aventurado Francisco a ouviu gritando furiosa pelas pra­ças, querendo saber se era mesmo um demônio, mandou primeiro a ela um frade. 10 Vendo-o, a mu­lher soube que não era o bem-aventurado Francisco e, sorrindo maldosamente, fez pouco dele. 11 Enquanto isso, o ho­mem de Deus estava prostrado em oração. Quando a terminou, aproximou-se da mulher com confiança. 12 Não conseguindo su­portar sua presença ela se revolvia no chão, berrando diante dele. 13 Então, em nome da obediência, ele mandou o espírito sair. Ele saiu, e não pôde resistir à sua or­dem nem um momento.