LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Vita Sancti Francisci - 68

    68. 1 Adductus igitur in palatium Assisiani episcopi, coepit non multo post totius corporis virtute destitui 2 et tam atrociter per singula membra torqueri, ut interrogatus an potius martyrium a carnifice sustineret, triduanam huiusmodi passionem, etsi pro voluntate divina sibi placitam et acceptam, graviorem tamen quovis martyrio responderet. 3 Cernens itaque proximare diem vitae novissimum, quem per revelationem iam biennio ante didicerat, convocavit ad se fratres quos voluit (cfr. Mar 3,13), singulosque, prout sibi dabatur desuper (cfr. Ioa 19,11), benedixit. 4 Cumque caligantibus oculis videre non posset, sicut quondam patriarcha Iacob, manibus cancellatis, dexteram fratri, qui a sinistris eius sedebat, imposuit (cfr. Gen 48,14); 5 interrogansque quis esset et intelligens esse fratrem Heliam (quem, ut dictum est, substituerat loco sui), sic se velle respondit. 6 Primum igitur illi, ac deinceps universis in eius persona fratribus benedixit, et bona illi plurima imprecatus, benedictiones in eo multimodas confirmavit. 7 Quibus completis, adiecit: “Valete, filii, omnes in timore Domini et permanete (cfr. Tob 2,14) semper in ipso, quoniam tribulatio vobis approximat et maxima super vos est futura tentatio. 3 Felices autem illi sunt qui in bonis perseveraverint (cfr. Mat 10,22), quae coeperunt”. 9 Tunc sine mora ad Sanctam Mariam de Portiuncula se transferri poscebat, volens illic animam reddere Domino, ubi primo, ut dictum est, perfecte viam veritatis (cfr. Ps 118,30) agnoverat. 10 Illum quoque locum in omni reverentia et honore fratribus custodire praeceperat; 11 hunc specialiter asserebat divinis obsequiis et orationibus congruum; hunc supernorum dicebat spirituum frequentia visitatum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Vida de São Francisco - 68

    68. 1 Levado para o palácio do bispo de Assis, pouco tempo depois, começou a perder todas as forças do corpo.2 E sofria tão atrozmente em todos os membros que, quando lhe perguntaram se preferia sofrer o martírio por um verdugo, respondeu que a paixão daqueles três dias, embora recebida com prazer como vontade de Deus, era mais graves que qualquer martírio. 3 Vendo que já se aproximava o último dia da vida, que por revelação ele já conhecia há dois anos, chamou a si os frades que quis (Mc 3,13) e os abençoou um a um como lhe era dado do alto (Jo 19,11). 4 Com seus olhos escurecidos, já não podia enxergar. Então, como outrora o patriarca Jacó, cruzou os braços e pôs a direita (Gn 48,14) sobre o frade que esta­va à esquerda 5 e perguntou quem era. Quando compreendeu que era Frei Elias (que, como se disse, ele colocara em seu lugar) res­pondeu que era assim que ele queria. 6 Abençoou primeiro a ele e depois, na sua pessoa, todos os outros frades e, invocando sobre ele todo o bem, confirmou-o com todas as bênçãos e no fim acrescentou: 7 “Adeus a todos, meus filhos, no temor do Senhor permanecei sempre nele (Tb 2,14), porque a tribulação se aproxima de vós e vai ser enorme a tentação que virá sobre vós. 8 Felizes os que perse­verarem (Mt 10,22) no que iniciaram”. 9 Então, pediu para ser levado, sem demora, para Santa Maria da Porciúncula, pois queria entregar a alma ao Senhor no mesmo lugar em que, como se disse, tinha conhecido com clareza o caminho da verdade (Sl 118,30).10 Tinha ordenado aos frades que guardassem aquele lugar com toda a reverência e honra. 11 Dizia que aquele lugar era particularmente adaptado para os louvores divinos e para a oração e que era frequentemen­te visitado pelos espíritos celestes.