LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 3

    3. 
    1 Erat tamen quasi naturaliter curialis in moribus et in verbis, iuxta cordis sui propositum nemini dicens verbum iniuriosum vel turpe, immo, cum sic esset iuvenis iocosus et lascivus, proposuit turpia sibi dicentibus minime respondere. 
    2 Unde ex hoc fama eius quasi per totam provinciam est adeo divulgata (cfr. Luc 4,37) ut a multis qui cognoscebant eum diceretur aliquid magni futurus. 
    3 A quibus virtutum naturalium gradibus ad hanc provectus est gratiam ut diceret ad seipsum conversus: “Ex quo largus et curialis es apud homines a quibus nihil recipis nisi favorem transitorium et inanem, iustum est ut, propter Deum qui largissimus est in retribuendo, pauperibus sis curialis et largus”. 
    4 Libenter igitur ex tunc videbat pauperes tribuens eis eleemosynas affluenter. 
    5 Et licet esset mercator, dispensator erat vanissimus opulentiae saecularis. 
    6 Cum autem quadam die. in apotheca ubi pannos vendebat circa huiusmodi staret sollicitus, venit quidam pauper ad eum petens eleemosynam amore Dei. 
    7 Cumque cupiditate divitiarum et mercationis cura detentus illi eleemosynam denegasset, divina prospectus gratia seipsum arguit magnae rusticitatis, 
    8 dicens: “Si pro magno comite vel barone pauper ille a te aliquid postulasset, certe postulatum sibi dedisses. 
    9 Quanto ergo magis pro Rege regum et omnium Domino (cfr. Apoc 17,14) id facere debuisti!”. 
    10 Cuius rei causa exinde in corde suo proposuit pro tanto Domino postulata de cetero non negare.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 3

    3. 
    1 Era, contudo, como que naturalmente cortês nos costumes e nas palavras, não dizia a ninguém palavras injuriosas ou torpes, por um propósito de acordo com o seu coração. Antes, sendo um jovem brincalhão e boêmio, propôs-se a não responder de jeito nenhum aos que lhe diziam coisas torpes. 
    2 Espalhou-se, por isso, a sua fama por quase toda a província, de modo que muitos que o conheciam diziam que haveria de ser algo de grande. 
    3 A partir desses graus de virtudes naturais, chegou a tal graça que dizia a si mesmo, depois da conversão: “Se és generoso e cortês com os homens de quem não recebes nada, a não ser favores transitórios e vazios, é justo que, por amor de Deus, que é generosíssimo em retribuir, sejas generoso e cortês também com os pobres”. 
    4 Por isso começou a olhar de boa vontade para os pobres, dando-lhes esmolas abundantes 
    5 Apesar de ser comerciante, era muito vaidoso para dissipar os bens terrenos. 
    6 Certo dia, quando estava ocupado na loja em que vendia panos, veio um pobre e pediu uma esmola pelo amor de Deus. 
    7 Como estava absorto na ganância das riquezas e ocupado pela atenção na venda, negou-lhe a esmola, mas, tocado pela graça divina, repreendeu-se por tanta rudeza, 
    8 dizendo: “Se aquele pobre tivesse pedido algo em nome de algum conde ou barão, com certeza o terias atendido. 
    9 Quanto mais não o deverias ter feito pelo Rei dos reis e Senhor de todos!” 
    10 Por isso, daí em diante, propôs em seu coração nunca mais negar o que pedissem em nome de tão grande Senhor.