LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • Fontes Biográficas
  • Legenda dos Três Companheiros

TEXTO ORIGINAL

Legenda Trium Sociorum - 7

Caput III - Qualiter Dominus primo visitavit cor eius mirabili dulcedine, virtute cuius coepit proficere per contemptum sui et omnium vanitatum atgue per orationem et eleemosynas et amorem paupertatis.

7. 
1 Postquam vero Assisium est reversus, non post multos dies, quodam sero a sociis suis eligitur in dominum ut secundum voluntatem suam faceret expensas. 
2 Fecit ergo tunc sumptuosam comestionem parari, sicut multotiens fecerat. 
3 Cumque refecti de domo exissent, sociique simul eum praecederent euntes per civitatem cantando, ipse portans in manu baculum quasi dominus parum retro ibat post illos non cantando sed diligentius meditando. 
4 Et ecce subito visitatur a Domino, tantaque dulcedine repletur cor eius quod nec loqui nec moveri poterat, nihilque aliud sentire vel audire nisi dulcedinem illam valebat, quae ita ipsum alienaverat a sensu carnali quod, sicut ipse postea dixit, si fuisset tunc totus frustatim incisus non potuisset se de loco movere. 
5 Cum autem socii eius retro respicerent et viderent eum ita remotum ab ipsis, revertentes ad illum territi cernunt ipsum quasi in virum alterum iam mutatum (cfr. 1Re 10,6). 
6 Et interrogant eum dicentes: “Quid cogitasti quod non venisti post nos? Forsitan uxorem accipere cogitasti? 
7 Quibus ille viva voce respondit: “Verum dixistis quia nobiliorem et ditiorem ac pulchriorem sponsam quam unquam vidistis accipere cogitavi”. 
8 Et deriserunt eum (cfr. Mat 9,24; Luc 16,14; 23,35). Ipse vero dixit hoc non a se sed inspiratus a Deo: nam ipsa sponsa fuit vera religio quam suscepit, caeteris nobilior, ditior et pulchrior paupertate.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda dos Três Companheiros - 7

Capítulo 3 - Como o Senhor visitou primeiro seu coração com admirável doçura, em virtude da qual começou a crescer pelo desprezo de si mesmo e de todas as vaidades, bem como pela oração, pelas esmolas e pelo amor à pobreza.

7. 
1 Não muitos dias depois que voltou a Assis, certa noite foi escolhido como senhor pelos seus companheiros para fazer as despesas conforme a sua vontade. 
2 Então mandou preparar um suntuoso banquete, como já tinha feito muitas vezes. 
3 Após a refeição saíram de casa. Os companheiros iam juntos na frente cantando pela cidade, e ele ia um pouco atrás, levando um bastão como senhor, não cantando mas meditando diligentemente. 
4 Eis que, de repente, foi visitado pelo Senhor, e seu coração ficou repleto de tanta doçura, que não podia nem falar, nem se mexer, e era incapaz de sentir ou de ouvir outra coisa, a não ser aquela doçura que de tal modo o alienara do sentido carnal, que, como ele mesmo disse depois, mesmo se naquele momento fosse cortado em pedaços, não poderia mover-se daquele lugar. 
5 Quando os companheiros olharam para trás e o viram tão longe deles, voltaram e, aterrorizados, viram-no como que mudado em um outro homem. 
6 E perguntaram-lhe: “Em que pensaste que não vieste conosco? Será que pensaste em te casar?" 
7 Respondeu-lhes com viva voz: “Dissestes a verdade, eu estava pensando em receber a esposa mais nobre, mais rica e mais bela que jamais vistes”. 
8 Zombaram dele. Mas ele disse isso não por si mesmo e sim inspirado por Deus; pois essa esposa era a verdadeira religião que abraçou, mais, nobre, mais rica e mais bela que as outras pela pobreza.