LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Legenda dos Três Companheiros

TEXTO ORIGINAL

Legenda Trium Sociorum - 14

14. 
1 Ab illa itaque hora ita vulneratum et liquefactum est cor (cfr. Cant 4,9) eius ad memoriam Dominicae passionis quod semper dum vixit stigimata Domini Iesu in corde suo portavit (cfr. Gal 6,17), sicut postea luculenter apparuit ex renovatione eorumdem stigmatum in corpore ipsius mirabiliter facta et clarissime demonstrata. 
2 Exinde tanta se carnis maceratione afflixit, quod, sanus et infirmus, corpori suo nimis austerus existens vix aut nunquam sibi voluit indulgere. 
3 Propter quod, die mortis eius instante, confessus est se multum peccasse in fratrem corpus. 
4 Quadam autem vice, solus ibat prope ecclesiam Sanctae Mariae de Portinncula, plangendo et eiulando alta voce (cfr. Ez 27,30; Mar 5,38). 
5 Quem audiens, quidam vir spiritualis putavit ipsum pati infirmitatem aliquam vel dolorem, et pietate motus circa eum, interrogavit illum cur fleret. 
6 At ille dixit: “Plango passionem Domini mei, pro quo non deberem verecundari alta voce ire piorando per totum mundum”. 
7 Ille vero coepit cum ipso similiter plangere alta voce. 
8 Saepe etiam cum ab oratione surgebat, videbantur eius oculi pleni sanguine quia fleverat multum amare. 
9 Non solum autem affligebat se in lacrimis, sed etiam abstinentia cibi et potus, ob memoriam Dominicae passionis.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda dos Três Companheiros - 14

14. 
1 Desde aquela hora seu coração tornou-se tão vulnerado e comovido, lembrando a paixão do Senhor, que sempre, enquanto viveu, trouxe os estigmas do Senhor Jesus em seu coração, como depois se patenteou evidentemente pela renovação dos mesmos estigmas maravilhosamente realizada em seu corpo e demonstrada com a maior clareza.
2 Desde então se afligiu com tamanha maceração da carne que, são ou doente, austero demais com o seu corpo, poucas ou nenhuma vez foi indulgente consigo mesmo. 
3 Por isso, quando se aproximou o dia de sua morte, confessou ter pecado muito contra o irmão corpo. 
4 Certa vez, caminhava sozinho perto da igreja de Santa Maria da Porciúncula, chorando e lamentando-se em alta voz. 
5 Ouvindo-o, certo homem espiritual, pensou que padecesse alguma enfermidade ou dor, e, movido de piedade, perguntou-lhe por que chorava. 
6 Ele disse: “Choro a paixão de meu Senhor; não devo envergonhar-me de andar chorando por ele, em alta voz e pelo mundo inteiro”. 
7 O outro começou semelhantemente a chorar com ele em alta voz. 
8 Muitas vezes também, quando se levantava da oração, seus olhos pareciam cheios de sangue, pois havia chorado muito amargamente. 
9 Mas não se afligia só com lágrimas; também com a abstinência na comida e na bebida, recordando a paixão do Senhor.