LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 21

    Caput VII - De maximo labore et afflictione ipsius pro reparatione ecclesiae Sancti Damiani et qualiter coepit vincere seipsum eundo pro eleemosyna.

    21. 
    1 Servus igitur Dei Franciscus, nudatus ab omnibus quae sunt mundi (cfr. 1Cor 7,33), divinae vacat iustitiae propriamque visam contemnens divino servitio se mancipat modis omnibus quibus potest. 
    2 Revertensque ad ecclesiam Sancti Damiani gaudens et fervens, fecit sibi quasi heremiticum habitum, et sacerdotem illius ecclesiae confortavit eodem sermone quo ipse fuerat ab episcopo confortatus. 
    3 Deinde, surgens et introiens civitatem coepit per plateas et vicos (cfr. Cant 3,2), tanquam ebrius spiritu, Dominum collaudare. 
    4 Finita vero huiusmodi collaudatione Domini, ad acquirendos lapides pro reparatione dictae ecclesiae se convertit 
    5 dicens: “Qui mihi dederit unum lapidem, unam habebit mercedem. 
    6 Qui autem duos dederit, duas habebit mercedes. 
    7 Qui vero tres, totidem mercedes habebit”. 
    8 Sic et multa alia verba simplicia in fervore spiritus loquebatur, quia idiota et simplex, electus a Deo, non in doctis humanae sapientiae verbis, sed (cfr. 1Cor 2,13) simpliciter in omnibus se habebat. 
    9 Multi autem deridebant eum putantes ipsum insanum, alii vero, pietate commoti, movebantur ad lacrimas videntes eum de tanta lascivia et saeculi vanitate ad tantam ebrietatem divini amoris tam cito venisse. 
    10 At ipse, derisiones contemnens, in spiritus fervore Deo gratias referebat. 
    11 Quantum vero laboraverit in opere supradicto, longum et difficile esset narrare, ipse enim, qui tam delicatus fuerat in domo paterna, proprtis humeris lapides ferebat in Dei servitio multipliciter se affligens.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 21

    Capítulo 7 - De seu grande trabalho e aflição na restauração da igreja de São Damião, e como começou a vencer a si mesmo quando saiu para pedir esmola.

    21. 
    1 Assim, o servo de Deus, Francisco, despojado de todas as coisas que são do mundo, dedicou-se à justiça divina, e, desprezando a própria vida, entregou-se ao serviço divino por todos os modos possíveis. 
    2 Voltando à igreja de São Damião, alegre e fervoroso, fez para si um hábito como de eremita e confortou o sacerdote daquela igreja com as mesmas palavras com que fora confortado pelo bispo. 
    3 Depois, levantou, entrou na cidade e, como um ébrio do espírito, começou a louvar o Senhor pelas praças e becos. 
    4 Mas quando acabou essa louvação do Senhor, voltou-se para adquirir pedras para a reparação da referida igreja 
    5 dizendo: -- “Quem me der uma pedra terá uma recompensa, 
    6 quem me der duas, terá duas recompensas, 
    7 mas quem me der três, terá outras tantas recompensas”. 
    8 Falava assim e com muitas outras palavras simples, porque era iletrado e simples, escolhido por Deus não por palavras doutas da sabedoria humana, mas portava-se em tudo simplesmente. 
    9 Muitos zombavam dele, julgando-o louco; outros ainda, movidos pela piedade, eram levados às lágrimas, vendo como ele abandonara tão grandes lascívias e vaidades do século e se deixara tão rapidamente inebriar do amor divino. 
    10 Mas ele, desprezando as caçoadas, dava graças a Deus, com todo fervor do espírito. 
    11 Seria longo e difícil contar quanto trabalhou nessa obra. Ele mesmo, que fora tão delicado na casa paterna, carregava pedras nos próprios ombros, afligindo-se de muitas maneiras no serviço de Deus.