LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 22

    22. 
    1 Sacerdos autem praedictus, considerans eius laborem quod scilicet tam ferventer ultra vires divino se obsequio manciparet, licet esset pauperculus, procurabat pro eo fieri aliquod speciale ad victum, sciebat autem ipsum delicate vixisse in saeculo. 
    2 Quippe, ut ipse vir Dei postea confessus est, frequenter electuariis et confectionibus utebatur et a cibis contrariis abstinebat. 
    3 Cum autem die quadam advertisset quod faciebat sacerdos pro ipso, ad se conversus ait: “Invenies tu hunc sacerdotem quocumque ieris qui tibi tantam praestet humanitatem? 
    4 Non est haec vita pauperis hominis quem eligere voluisti. 
    5 Sed, sicut pauper vadens ostiatim portat in manu paropsidem, et necessitate coactus diversa in ea cibaria coadunat, ita voluntarie oportet te vivere, amore illius qui pauper natus pauperrimus vixit in saeculo ac remansit nudus et pauper in patibulo sepultusque in alieno sepulcro”. 
    6 Surgens igitur quadam die accepit paropsidem, et ingressus civitatem ivit petendo eleemosynam ostiatim. 
    7 Cumque diversa cibaria poneret in scutella, mirabantur multi qui sciebant eum tam delicate vixisse, videntes ipsum ad tantum sui contemptum sic mirabiliter transmutatum. 
    8 Quando autem voluit comedere illa diversa cibaria simul posita, horruit primo quia non solum comedere sed nec velle videre talia consueverat. 
    9 Tandem vincens seipsum coepit comedere, et visum est illi quod in comedendo aliquod electuarium nunquam sic fuerit delectatus: 
    10 Proinde tantum cor eius in Domino exultavit quod caro ipsius, licet debilis et afflicta, corroborata est ad quaecumque aspera et amara laetanter pro Domino toleranda. 
    11 Gratias insuper egit Deo quod amarum sibi in dulce mutaverat et eum multipliciter confortaverat. 
    12 Dixit ergo illi presbytero quod de cetero pro se aliqua cibaria non faceret nec fieri procuraret.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 22

    22. 
    1 O sacerdote de que falamos, considerando seu trabalho, isto é, que se dedicava tão fervorosamente acima de suas forças ao serviço de Deus, embora fosse tão pobrezinho, cuidava que se fizesse para ele alguma coisa especial para comer, pois sabia que tinha vivido delicadamente no século. 
    2 Com efeito, como o próprio homem de Deus confessou depois, muitas vezes servia-se de manjares delicados e pratos finos e abstinha-se dos alimentos que não eram de seu gosto. 
    3 Mas quando percebeu, certo dia, o que o sacerdote fazia por ele, disse para si mesmo: - “Encontrarás acaso aonde quer que vás esse sacerdote para usar contigo de tanta cortesia? 
    4 Não é esta a vida de homem pobre que quiseste escolher. 
    5 Mas, como um pobre que vai de porta em porta leva um prato na mão, e forçado pela necessidade junta nele diversos alimentos, assim convém que vivas voluntariamente, por amor daquele que nasceu pobre, viveu paupérrimo no século, ficou nu e pobre no patíbulo e foi sepultado em sepulcro alheio”. 
    6 Por isso, um dia levantou-se, pegou um prato e, entrando na cidade, foi pedindo esmola de porta em porta. 
    7 Como pusesse diversas comidas na escudela, muitos que sabiam com quanta regalia ele vivera, admiravam-se, vendo-o incrivelmente transformado, com tanto desprezo de si mesmo. 
    8 Mas quando quis comer aquelas comidas misturadas, no começo ficou horrorizado, pois não estava acostumado nem a comer nem mesmo a querer ver essas coisas. 
    9 No fim, vencendo a si mesmo, começou a comer, e pareceu-lhe que nenhum outro manjar mais delicado lhe causasse tanto prazer na comida. 
    10 Daí, tanto exultou o seu coração no Senhor, que a sua carne, embora fraca e aflita, fortaleceu-se para suportar com alegria pelo Senhor tudo que fosse áspero e duro. 
    11 E ainda deu graças a Deus que havia mudado para ele o que era amargo em doce e o havia confortado de muitas maneiras. 
    12 Por isso disse também àquele sacerdote que daí para frente não lhe fizesse nem mandasse fazer nenhuma comida.