LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 23

    23. 
    1 Pater vero ipsius videns eum in tanta vilitate positum dolore nimio replebatur. 
    2 Quia enim multum dilexerat ipsum, verecundabatur et dolebat tantum super eum, videns carnem illius quasi mortuam ex afflictione nimia et algore, quod ubicumque reperiebat ipsum maledicebat ei. 
    3 Vir autem Dei, maledictiones patris attendens, hominem quemdam pauperculum et despectum assumpsit sibi in patrem et ait illi: “Veni mecum et dabo tibi de eleemosynis quae mihi dabuntur. 
    4 Cum autem videris patrem meum maledicentem mihi, ego quoque dixero tibi: benedic mihi, pater (cfr. Gen 27,34). Signabis me ac benedices mihi vice illius”. 
    5 Sic igitur benedicente sibi paupere illo, dicebat vir Dei ad patrem: “Non credis quod Deus possit mihi dare patrem benedicentem mihi contra maledictiones tuas?”. 
    6 Praeterea multi deridentes eum videntesque ipsum sic derisum patienter omnia sustinere stupore nimio mirabantur.
    7 Unde, tempore hiemali cum orationi quodam mane insisteret contectus pauperculis indumentis, frater eius carnalis prope ipsum transiens cuidam suo concivi dixit ironice: “Dicas Francisco quod saltem unam numma tam de sudore vendat tibi”. 
    8 Quod audiens, vir Dei gaudio salutari perfusus, in fervore spiritus gallice respondit: “Ego, inquit, Domino meo care vendam sudorem istum”.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 23

    23. 
    1 Mas seu pai, vendo-o em tamanha vileza, enchia-se de uma dor enorme. 
    2 E como o havia amado muito, envergonhava-se e doía-se tanto por ele, vendo sua carne quase morta, por causa da mortificação demasiada e pelo frio. E onde quer que o encontrasse, amaldiçoava-o. 
    3 O homem de Deus, preocupado com a maldição paterna, tomou a si como pai certo homem pobrezinho e desprezível, e disse-lhe: “Vem comigo e eu te darei algumas das esmolas que me derem. 
    4 Quando vires que meu pai me amaldiçoa, eu também te direi: 'Abençoa-me, pai', e tu farás sobre mim o sinal-da-cruz e abençoar-me-ás em seu lugar”. 
    5 De modo que quando o pobre o abençoava, o homem de Deus dizia ao pai: “Não acreditas que Deus me pode dar um pai que me abençoa contra as tuas maldições?” 
    6 Além disso, muitos que o escarneciam, vendo que, mesmo escarnecido, ele suportava tudo com paciência, ficavam extremamente admirados. 
    7 Certa manhã, vestido com roupas pobrezinhas em tempo de inverno, estava ele entregue à oração, quando seu irmão carnal passou por aquele lugar e disse ironicamente a um concidadão: “Diz a Francisco que te venda pelo menos um tostão de suor”. 
    8 Ouvindo isto o servo de Deus, cheio de gozo espiritual, em fervor de espírito, respondeu em francês: “Venderei ao meu Senhor, bem caro, este suor”.