LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 25

    Caput VIII - Qualiter auditis et intelleetis consillis Christi in Evangelio, statim mutavit habitum exteriorem et induit novum habitum perfectionis interius et exterius.

    25. 
    1 Beatus itaque Franciscus, ecclesiae Sancti Damiani perfecto iam opere, habitum heremiticum portabat, baculumque manu gestans pedibus calciatis et cinctus corrigia incedebat. 
    2 Audiens autem quadam die inter missarum solemnia ea quae Christus discipulis ad praedicandum missis loquitur, ne scilicet aururn vel argentum, nec sacculum vel peram, nec panem, nec virgam portent in via, nec calciamenta nec duas tunicas (cfr. Mat 10,9-10; Luc 9,3; 10,4) habeant, 
    3 intelligensque haec postea clarius ab ipso presbytero, indicibili repletus gaudio: “Hoc, inquit, est quod cupio totis viribus adimplere”. 
    4 Igitur cunctis quae audierat commissis memoriae laetanter his adimplendis innititur, duplicibusque sine mora dimissis ex tunc iam virga, calciamentis, sacculo vel pera (cfr. Mat 10,9-10) non utitur; 
    5 faciens autem sibi tunicam valde contemptibilem et incultam, reiecta corrigia, pro cingulo funem sumpsit. 
    6 Omnem quoque sollicitudinem cordis novae gratiae verbis apponens qualiter illa posset opere perficere, coepit, instinctu divino, evangelicae perfectionis annunciator exsistere poenitentiamque simpliciter in publicum praedicare (cfr. Mar 6,12; Luc 24,47). 
    7 Erant autem verba etus non inania nec risu digna, sed virtute Spiritus sancti plena (cfr. Luc 4,1; Act 6,5), cordis medullas penetrantia, ita ut in stuporem vehementer converterent audientes.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 25

    Capítulo 8 -- Como, ouvidos e entendidos os conselhos de Cristo no Evangelho, imediatamente mudou o hábito exterior e vestiu um novo hábito de perfeição, interior e exteriormente

    25. 
    1 O bem-aventurado Francisco, tendo assim concluído a obra da igreja de São Damião, vestia um hábito de eremita, levava na mão um cajado, tinha os pés calçados e cingia uma correia. 
    2 Certo dia, porém, durante a celebração da santa missa, ouvindo o que Cristo recomendava aos discípulos enviados a pregar: que não levassem no caminho nem ouro nem prata, nem sacola nem alforje, nem pão nem cajado, e não usassem nem calçados nem duas túnicas, 
    3 e entendendo isso melhor, depois da explicação do sacerdote, repleto de indizível contentamento, disse: “É isto que eu quero cumprir com todas as minhas forças”. 
    4 Retendo pois em sua memória tudo o que ouvira, tratou de cumprir alegremente aquelas palavras. Despojou-se logo do que tinha em dobro e, desde aquele momento, já não usava nem bordão, nem calçados, nem sacola ou alforje. 
    5 Fez para si uma túnica bem desprezível e rústica, abandonou a correia e cingiu-se com uma corda. 
    6 Colocando também toda solicitude do coração nas palavras da nova graça, para poder pô-las em prática, começou, por instinto divino, a ser um anunciador da perfeição evangélica e a pregar a penitência em público com simplicidade. 
    7 Suas palavras não eram vazias nem ridículas mas, cheias da força do Espírito Santo, penetravam tão profundamente a medula dos corações que deixavam muito admirados os ouvintes.