LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 38

    38. 
    1 Multi vero eos deceptores vel fatuos iudicabant et nolebant eos recipere in domum suam, ne tanquam fures res suas furtim auferrent. 
    2 Propterea in multis locis, post illatas eis multas iniurias, hospitabantur in ecclesiarum porticibus vel domorum. 
    3 Eodem tempore duo ex ipsis erant Florentiae qui per civitatem mendicantes hospitium non poterant invenire. 
    4 Venientes autem ad quamdam domum habentem porticum et in porticu clibanum, dixerunt ad invicem: “Hic poterimus hospitari”. 
    5 Rogantes ergo dominam domus ut eos reciperet intra domum et illa hoc facere recusante, dixerunt humiliter ut saltem iuxta clibanum permitteret eos quiescere illa nocte. 
    6 Hoc autem concesso per illam, venit vir eius et invenit eos in porticu, et advocans uxorem dixit illi: “Quare istis ribaldis hospitium in nostra porticu contulisti?”. 
    7 Respondit illa quod noluerat eos in domum recipere sed eis concesserat extra in porticu iacere, ubi non poterant nisi ligna furari. 
    8 Noluit ergo vir quod daretur eis aliquod tegumentum, licet esset tunc magnum frigus, quia putabat eos esse ribaldos et fures. 
    9 Illa autem nocte, cum usque ad matutinum satis sobrio somno iuxta clibanum quievissent calefacti solo calore divino et cooperti tegumento dominae paupertatis, iverunt ad viciniorem ecclesiam pro matutinali officio audiendo.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 38

    38. 
    1 Muitos os julgavam enganadores e loucos e não queriam admití-los em casa para que, como ladrões, tirassem furtivamente as suas coisas. 
    2 Por este motivo, em muitos lugares, após terem recebido um sem-número de injúrias, abrigavam-se sob os pórticos das igrejas ou das casas. 
    3 Nesse mesmo tempo, dois deles estavam em Florença, onde tinham percorrido a cidade mendigando mas não tinham conseguido onde se hospedar. 
    4 Chegando a certa casa que tinha um pórtico, e dentro do pórtico um forno, disseram: -- “Aqui poderemos hospedar-nos”. 
    5 Pediram à dona da casa que os recebesse dentro de casa, mas como ela recusasse, rogaram humildemente que pelo menos lhes permitisse descansar por aquela noite junto ao forno. 
    6 Isso foi concedido por ela, mas o marido chegou e encontrando-os no pórtico. Chamou a esposa e lhe disse: -- :Por que Ela consentiu. Mas chegou o marido e os encontrou no pórtico e chamando a mulher disse-lhe: “Por que deste hospedagem em nosso pórtico a estes vagabundos?” 
    7 Ela respondeu que não quisera recebê-los em casa, mas lhes concedera que ficassem no pórtico, onde nada podiam roubar a não ser a lenha. 
    8 Não quis o marido que lhes fosse dado qualquer agasalho, embora fizesse frio intenso naquele tempo, porque julgava que fossem vagabundos e ladrões. 
    9 Naquela noite, tendo repousado até o alvorecer junto ao forno, com um sono breve e sóbrio, só aquecidos pelo calor divino e cobertos com o manto da Senhora Pobreza, foram para a igreja mais próxima para ouvir o ofício da manhã.