LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Legenda dos Três Companheiros

TEXTO ORIGINAL

Legenda Trium Sociorum - 55

55. 
1 Conversabatur autem adhuc felix pater cum filiis in quodam loco iuxta Assisium qui dicitur Rivus Tortus, ubi erat quoddam tugurium ab omnibus derelictum. 
2 Qui locus ita erat arctus quod ibi sedere vel quiescere vix valebant. 
3 Ibi etiam saepissime pane carentes solas rapas edebant quas hinc inde in angustia mendicabant. 
4 Scribebat vir Dei nomina fratrum super trabes illius tugurii, ut quilibet volens quiescere vel orare cognosceret locum suum, et ne in angustia loci modicitate rumor insolens mentis silentium perturbaret. 
5 Quadam autem die, existentibus fratribus in dicto loco, accidit ut quidam rusticus cum suo asino veniret illuc volens in ipso tugurio cum asino hospitari, et ne repelleretur a fratribus, ingrediens cum asino dixit ad asinum suum: “Intra, intra, quia bene faciemus huic loco”. 
6 Quod sanctus pater audiens et verbum ac intentionem rustici cognoscens motus est animo super eum, maxime quia ille tumultum magnum fecerat cum suo asino, inquietans omnes fratres qui tunc silentio et orationi vacabant. 
7 Dixit ergo vir Dei ad fratres: “Scio, fratres, quod non vocavit nos Deus ad praeparandum hospitium asino et ad habendas hominum frequentationes, sed, ut hominibus quandoque viam salutis praedicantes et salutaria consilia exhibentes, orationibus et gratiarum actionibus principaliter insistere debeamus”. 
8 Reliquerunt igitur dictum tugurium ad usum pauperum leprosorum, transferentes se ad Sanctam Mariam de Portiuncula iuxta quam in una domuncula fuerant aliquando commorati priusquam ipsam ecclesiam obtinerent.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda dos Três Companheiros - 55

55. 
1 Mas o feliz pai Francisco ainda vivia com seus filhos num lugar perto de Assis chamado Rivotorto, onde havia uma cabana por todos abandonada. 
2 O lugar era tão apertado que ali mal podiam sentar e repousar. 
3 E muitas vezes, não tendo pão, só comiam nabos que mendigavam aqui e acolá naquela penúria. 
4 O homem de Deus escrevia os nomes dos frades nos caibros daquela cabana para que quem quisesse descansar ou orar soubesse o seu lugar, e para que algum barulho insolente não perturbasse o silêncio da mente por causa do aperto do lugar. 
5 Mas certo dia, estando os irmãos nesse lugar, aconteceu que um vilão ali apareceu com seu asno querendo abrigar-se no tugúrio; e, para não ser repelido pelos irmãos, entrando com o animal lhe gritava: “Entra, entra, pois faremos bem a este lugar”. 
6 O santo pai, ouvindo isto e conhecendo a intenção do vilão, sentiu muito pesar, especialmente porque havia feito barulho com o jumento, perturbando todos os irmãos entregues então ao silêncio e à oração. 
7 Disse pois o homem de Deus aos irmãos: “Irmãos, sei que Deus não nos chamou para preparar hospedagem ao burro e para sermos importunados pelos homens, mas para que pregando o caminho da salvação às pessoas de vez em quando, e dando-lhes conselhos salutares, tenhamos que insistir principalmente em orações e ações de graças”. 
8 Por isso deixaram o referido tugúrio para o uso dos pobres leprosos, transferindo-se para Santa Maria da Porciúncula, junto à qual já tinham morado uma vez numa casinha, antes de obterem a igreja.