LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Trium Sociorum - 57

    Caput XIV - De capitulo quod fiebat bis in anno in loco Sanctae Mariae de Portiuncula. 

    57. 
    1 Post praedictum autem locum Sanctae Mariae obtentum a praefato abbate, ordinavit beatus Franciscus quod ibi fieret capitulum bis in anno, scilicet in Pentecoste et in Dedicatione Sancti Mi-chaelis. 
    2 In Pentecoste conveniebant omnes fratres apud Sanctam Mariam et tractabant qualiter melius possent regulam observare, atque constituebant fratres per diversas provincias qui populo praedicarent, et fratres alios in quis provinciis collocarent. 
    3 Sanctus autem Franciscus faciebat admonitiones reprehensiones et praecepta, sicut ei iuxta consilium Domini videbatur. 
    4 Omnia vero quae dicebat eis per verba, affectuose et sollicite operibus ostendebat. 
    5 Venerabatur praelatos et sacerdotes sanctae Ecclesiae atque seniores nobiles et divites honorabat, pauperes quoque intime diligebat eis viscerose compatiens, omnibusque se subditum exhibebat. 
    6 Cumque omnibus fratribus esset sublimior, unum tamen de fratribus secum morantibus constituebat guardianum suum et dominum, cui, ut effugaret a se omnem occasionem superbiae, obediebat humiliter et devote. 
    7 Humiliabat enim inter homines caput suum usque ad terram, ut inter sanctos et electos Dei mereretur in conspectu divino aliquando exaltari (cfr. Luc 14,11). 
    8 Admonebat sollicite fratres ut sanctum evangelium et regulam quem promiserant firmiter observarent, et maxime ut circa divina officia et ecclesiasticas ordinationes essent reverentes et devoti, audientes devote missam et Corpus Domini devotissime adorantes. 
    9 Sacerdotes quoque qui tractant veneranda et maxima sacramenta voluit singulariter a fratribus honorari, intantum ut ubicumque illos invenirent caput coram eis flectentes oscularentur manus eorum, 
    10 et cum ipsos equitantes invenirent, volebat ut oscularentur non solum manus eorum sed etiam pedes equorum super quos equitarent, propter reverentiam potestatis eorum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda dos Três Companheiros - 57

    Capítulo 14 - Do capítulo que se realizava duas vezes por ano no lugar de Santa Maria da Porciúncula.

    57. 
    1 Após ter obtido do mencionado abade o referido lugar de Santa Maria, ordenou o bem-aventurado Francisco que ali se realizasse o capítulo duas vezes por ano, a saber: em Pentecostes e na dedicação de São Miguel. 
    2 Em Pentecostes reuniam-se todos os irmãos em Santa Maria, discutiam a maneira como podiam observar melhor a Regra, designavam os irmãos que nas diversas províncias pregassem ao povo e colocassem os outros frades em suas províncias. 
    3 São Francisco fazia admoestações, repreensões e preceitos, como lhe parecia de acordo com o conselho do Senhor. 
    4 Mas tudo que lhes dizia por meio de palavras, mostrava-o afetuosa e solicitamente com obras. 
    5 Venerava os prelados e sacerdotes da Santa Igreja, honrava também os mais velhos, nobres e ricos, mas amava aos pobres compadecendo-se entranhadamente deles, e a todos mostrava-se submisso. 
    6 Mesmo estando acima de todos os irmãos, constituía um dos frades que morava com ele como seu guardião e senhor, obedecendo-lhe humilde e devotamente para afastar de si toda ocasião de soberba. 
    7 Pois entre os homens humilhava sua cabeça até o chão, para merecer, algum dia, ser exaltado entre os santos e eleitos de Deus, na presença divina. 
    8 Admoestava com solicitude os irmãos a observarem cuidadosamente o santo Evangelho e a Regra que haviam prometido observar firmemente, e especialmente que fossem reverentes e devotos no que diz respeito aos ofícios divinos e às ordenações eclesiásticas, ouvindo devotamente a missa e adorando o Corpo do Senhor com toda a devoção. 
    9 Quis também que fossem honrados de maneira particular os sacerdotes que tratam os venerandos e máximos sacramentos, a tal ponto que, onde os encontrassem, inclinando a cabeça, lhes beijassem as mãos. 
    10 E quando os encontrassem montados a cavalo, queria que beijassem não somente suas mãos, mas até as patas dos cavalos que montavam, em reverência à sua autoridade.