LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Anônimo Perusino

TEXTO ORIGINAL

Anonimo Perusino - 5

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1 Huic beato Viro tempore procedente accidit quoddam mirum quod indignum puto silentio transeundum. 2 Quia cum nocte dormiret in stratu suo, apparuit ei quidam qui, vocans eum ex nomine, duxit in quoddam indicibilis et speciosae amoenitatis palatium, plenum armis militaribus et etiam cruciatis resplendentibus clipeis ad murum pendentibus circumquaque.

3 Quo interrogante cuius essent haec arma tanto splendore fulgentia et palatium sic amoenum, responsum accepit ab eo a quo ducebatur: ‑ “Haec omnia sunt tua cum palatio militumque tuorum”.

4 Qui expergefactus coepit saeculariter cogitare, tamquam qui nondum plene spiritum Dei gustaverat, se debere in hoc magnifice principari. 5 Qua de re eo multipliciter cogitante, deliberavit fieri miles, ut principatus huiusmodi sibi militi offerretur. 6 Unde disposuit ad comitem Gentilem, praeparatis sibi pannis pretiosis, ut potuit, quatenus ab eodem comite miles fieret, in Apuliam proficisci.

7 Et ex hoc laetior effectus solito, ab omnibus mirabatur. 8 Quibus de hac nova laetitia interrogantibus unde esset respondebat: ‑ “Scio me magnum Principem affuturum”.

TEXTO TRADUZIDO

Anônimo Perusino - 5

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1 A este homem bem-aventurado aconteceu posteriormente um fato admirável, que acho indigno deixar passar em silêncio. 2 Dormia, uma noite, em sua cama, quando lhe apareceu alguém chamando-o pelo nome, que o levou a um palácio de e indizível e belo conforto, cheio de armas militares e também escudos resplandecentes e cruzados, pendurados por toda parte na parede.

3 Perguntou de quem eram essas armas que refulgiam com tamanho esplendor e o palácio tão confortável, recebendo esta resposta de quem o conduzia: — “Tudo isso é teu, com o palácio dos teus soldados”.

4 Acordado, começou a pensar mundanamente, como alguém que ainda não tinha provado plenamente o espírito de Deus, achando que nisso teria um principado magnífico. 5 Pensando muito sobre essas coisas, resolveu fazer-se cavaleiro, para que um principado como aquele lhe fosse ofertado como militar. 6 Por isso resolveu partir para a Apúlia, junto ao conde Gentil, preparando panos preciosos como pôde, para ser feito cavaleiro pelo referido conde.

7 Tornou-se, por isso, mais alegre ainda do que de costume e encantava a todos. 8 Aos que perguntavam de onde vinha essa nova alegria, respondia: “Sei que vou ser um grande príncipe”.