LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Anonimo Perusino - 17

    17

    1 Paucisque diebus elapsis, tres alii viri de civitate Assisii venerunt ad eos, videlicet frater Sabbatinus, frater Ioannes et frater Moricus Parvus, beato Francisco ut eos in societatem suam reciperet humiliter supplicantes. 2 Qui benigne et alacriter recepit eos.

    3 Quando vero petendo elemosinas per civitatem ibant, vix volebat aliquis ei dare; sed dicebant eis: ‑ “Dimisistis res vestras et vultis comedere alienas”. 4 Et sic patiebantur penuriam multam valde. 5 Parentes quoque eorum et consanguinei persequebantur eos; et alii de civitate illa, parvi et magni, mares et feminae, despiciebant et deridebant eos tamquam insensatos et stolidos, nisi solus Episcopus civitatis, ad quem ibat frequenter beatus Franciscus ad consilium postulandum.

    6 Propter hoc autem persequebantur eos parentes eorum et consanguinei, et alii deridebant, quia eo tempore nullus inveniebatur qui omnia sua relinqueret et iret petendo elemosinas ostiatim.

    7 Quadam vero die cum adisset beatus Franciscus dictum episcopum, Episcopus dixit ei: ‑ “Dura multum mihi videtur et aspera vestra visa, nihil possidere in hoc saeculo nec habere”. 8 Cui sanctus Dei sic respondit: ‑ “Domine, si possessiones aliquas haberemus, arma ad protegendum necessaria nobis essent, quia inde quaestiones oriuntur et lites plurimae, et solet inde dilectio Dei et proximi impediri. 9Idcirco nolumus in hoc saeculo temporale aliquid possidere”.

    10 Et placuit Episcopo hoc responsum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Anônimo Perusino - 17

    17

    1 Passados poucos dias, vieram a eles três outros homens da cidade de Assis: Frei Sabatino, Frei João e Frei Morico, o Pequeno, suplicando humildemente ao bem-aventurado Francisco que os recebesse no seu grupo. 2 E ele os acolheu, bondosa e alegremente.

    3 Quando iam pela cidade para pedir esmola, mal havia quem lhes quisesse dar; mas diziam-lhes: — “Deixastes as vossas coisas e quereis comer as dos outros”. 4 E assim passavam uma penúria muito grande. 5 Seus pais e parentes também os perseguiam; e os outros daquela cidade, pequenos e grandes, homens e mulheres, desprezavam-nos e riam-se deles como se fossem doidos. Menos o bispo da cidade, e o bem-aventurado Francisco o procurava muitas vezes para pedir conselho.

    6 O motivo da perseguição dos pais e parentes e das zombarias dos outros: porque naquele tempo não se via ninguém que abandonasse seus bens e fosse pedir esmola de porta em porta.

    7 Certa vez, quando Francisco foi procurar o bispo, este disse-lhe: “Vossa vida me parece dura e áspera demais: não possuir nem ter nada neste mundo”. 8 O santo de Deus respondeu-lhe: “Senhor, se tivéssemos posses, para protegê-las precisaríamos de armas, porque é daí que nascem as questões e muitas brigas, e o amor de Deus e do próximo costuma ficar impedido. 9 Por esta razão decidimos não possuir nada de temporal neste século”.

    10 Esta resposta agradou ao bispo.