LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Anonimo Perusino - 30

    30

    1 Quadam vero die, cum fratres morarentur apud Sanctam Mariam de Portiuncula, venerunt quidam homines et intraverunt Ecclesiam, et ipsis nescientibus super altare denarios posuerunt. 2 Quidam vero frater, intrans Ecclesiam, inventos accepit denarios et in eiusdem Ecclesiae fenestra quadam posuit eos. Quidam vero alius frater, inventa pecunia ubi frater eam posuerat, retulit sancto Francisco.

    4 Quod cum audisset beatus Franciscus, fecit diligenter inquiri quis fratrum ibi hanc pecuniam posuisset. 5 Quo invento, iussit eum venire ad se et ait: ‑ “Quare hoc fecisti? (cfr.  Gen 3,13). 6 Nesciebas tu me velle quod fratres non solum pecunia non utantur, sed nec etiam tangant eam?”. 7 Quo audito, frater inclinavit se et dixit flexis genibus suam culpam, rogans ut paenitentiam sibi daret. 8 Ipse vero iniunxit ei ut illam pecuniam extra Ecclesiam ore proprio exportaret, donec stercus asininum inveniens, super illo poneret ore proprio quo gerebat. 9 Quod frater diligentius adimplevit. 10 Et exinde fratres admonuit ut ubicumque pecuniam invenirent, vilipenderent et pro nihilo reputarent.

    11 Sic igitur continue gaudebant, quia unde turbari possent non habebant. 12 Quanto namque a mundo erant divisi, tanto magis Deo erant coniuncti. 13 Isti intraverunt per semitam, artaverunt viam et custodierunt asperitatem eius. 14 Ruperunt saxa, conculcaverunt spinas, et sic nobis eorum successoribus viam planam reliquerunt.

    TEXTO TRADUZIDO

    Anônimo Perusino - 30

    30

    1 Certo dia, quando os frades moravam em Santa Maria da Porciúncula, vieram algumas pessoas e entraram na igreja e, sem que eles o soubessem, deixaram moedas sobre o altar. 2 Um frade, entrando na igreja, pegou as moedas que achou e as colocou em uma janela da mesma igreja. 3 Mas um outro frade, achando o dinheiro onde o irmão o pusera, foi contar a São Francisco.

    4 Quando o bem-aventurado Francisco ouviu isso, mandou investigar diligentemente qual dos frades tinham posto o dinheiro lá. 5 Quando descobriu, mandou que viesse a ele e disse: — “Por que fizeste isso?”. 6 “Não sabias que eu não só não quero que os frades usem dinheiro, mas que nem mesmo toquem nele?” 7 Ouvindo isso, o frade se inclinou e disse de joelhos a sua culpa, rogando que lhe desse a penitência. 8 Ele mandou que levasse aquele dinheiro para fora da igreja na própria boca até que encontrasse esterco de asno e o pusesse em cima com a boca. 9 E o frade cumpriu isso com diligência. 10 A partir disso, admoestou os frades a que, onde quer que encontrassem dinheiro, desprezassem-no e o tivessem por nada.

    11 Desse modo, estavam sempre alegres, porque não tinham por que se perturbar. 12 Pois, quanto mais estavam separados do mundo, tanto mais ficavam unidos a Deus. 13 Estes entraram pelo atalho, estreitaram o caminho e guardaram sua aspereza. 14 Quebraram pedras, pisaram espinhos, e assim deixaram um caminho plano para nós que os sucedemos.