LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Primeira Vida (1Cel)

TEXTO ORIGINAL

Prima Vita (1Cel) - 5

5. 
1 Nocte igitur quadam, cum ad haec consummanda tota se deliberatione dedisset et desiderio aestuans ad iter agendum maxime anhelaret, qui percusserat eum in virga iustitiae, per visionem nocturnam (cfr. Iob 4,13; 33,15) visitat eum in dulcedine gratiae; et quia gloriae cupidus erat, gloriae fastigio eum allicit et exaltat. 
2 Videbatur ei namque domum suam totam habere plenam militaribus armis, sellis scilicet, clipeis, lanceis et caeteris apparatibus; gaudensque plurimum, quid hoc esset, secum tacitus mirabatur. 
3 Non enim consueverat talia in domo sua videre, sed potius pannorum cumulos ad vendendum. 
4 Cumque ad subitum rerum eventum stuperet non modicum, responsum est ei, omnia haec arma sua fore militumque suorum. 
5 Expergefactus quoque animo gaudenti mane surrexit et praesagium magnae prosperitatis reputans visionem, prosperum futurum iter suum in Apuliam securatur. 
Nesciebat enim quid diceret (cfr. Mar 9,5), et munus sibi de caelo datum adhuc minime cognoscebat. 
7 In eo tamen perpendere poterat visionis huius suam interpretationem non esse veram, quia licet satis rerum gestarum utcumque similitudinem contineret, non tamen animus eius circa talia solito laetabatur. 
8 Vim namque quamdam sibimet facere oportebat, ut cogitata perficeret et iter concupitum effectui manciparet. 
9 Et quidem pulchre satis primo de armis fit mentio, et opportune multum arma traduntur contra fortem armatum militi pugnaturo, ut quasi alter David in nomine Domini Dei exercituum (cfr 1Re 17,45) ab inveterato inimicorum opprobio liberet Israelem.

TEXTO TRADUZIDO

Primeira Vida (1Cel) - 5

5. 
1 Todo entregue a esse plano e pensando com ardor na partida, certa noite, aquele que o tinha tocado com a vara da justiça visitou-o numa visão noturna, com a doçura da sua graça. E o seduziu e exaltou pelo fastígio da glória, porque ele tinha sede de glória. 
2 Pareceu-lhe ver a casa toda cheia de armas: selas, escudos, lanças e outros aparatos. Muito alegre, admirava-se em silêncio, pensando no que seria aquilo. 
3 Não estava acostumado a ver essas coisas em sua casa, mas apenas pilhas de fazendas para vender. 
4 E ainda estava aturdido com o acontecimento repentino, quando lhe foi dito que aquelas armas seriam suas e de seus soldados. 
5 Despertando de manhã, levantou-se alegre e, julgando a visão um presságio de grande prosperidade, ficou certo de que sua excursão à Apúlia seria um êxito. 
6 Pois não sabia o que dizer e ainda não entendera nada do dom que lhe fora feito pelo céu. 
7 Em um ponto, poderia ter percebido que sua interpretação do sonho não era verdadeira porque, embora contivesse muita semelhança com coisas já acontecidas, dessa vez seu espírito não estava tão feliz como de costume. 
8 Precisava até fazer algum esforço para executar o que planejara e levar a cabo o seu plano. 
9 É muito interessante esta menção de armas logo aqui no começo. Muito oportunamente se oferecem armas ao soldado que vai combater o forte armado e, como um outro Davi em nome do Senhor dos exércitos, há de libertar Israel do antigo opróbrio dos inimigos.