LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Primeira Vida (1Cel)

TEXTO ORIGINAL

Prima Vita (1Cel) - 16

Caput VII - Qualiter a latronibus captus, proiectus fuit in nive et quomodo servivit leprosis.

16. 
1 Iam enim cum semicinctiis involutus pergeret, qui quondam scarulaticis utebatur, et per quamdam silvam laudes Domino lingua francigena decantaret, latrones super eum subito irruerunt. 
2 Quibus ferali animo eum, quis esset, interrogantibus, confidenter vir Dei plena voce respondit dicens: “Praeco sum magni Regis (cfr. Ps 47,3; Mat 27,4)! Quid ad vos?”. 
3 At illi percutientes eum, in defosso loco pleno magnis nivibus proiecerunt dicentes: “Iace, rustice praeco Dei!”. 
4 Ipse vero se huc atque illuc revolvens, nive a se discussa, illis recedentibus, de fovea exsilivit, et magno exhilaratus gaudio, coepit alta voce per nemora laudes Creatori omnium personare. 
5 Tandem ad quoddam claustrum monachorum veniens, per plures dies in sola vili camisia, quasi garcio in coquina exsistens, cupiebat vel de brodio saturari. 
6 Verum cum, omni miseratione subtracta, nullum posset vel vetustum acquirere indumentum, non motus ira sed necessitate coactus, inde progrediens devenit ad Eugubii civitatem, ubi a quodam olim amico eius sibi tuniculam acquisivit. 
7 Post haec autem, modico tempore iam elapso, cum viri Dei ubique fama crebresceret et nomen eius divulgaretur (cfr. 2Par 26,8; Luc 4,37) in populis, prior monasterii supradicti, quod factum fuerat in virum Dei recolens et intelligens, venit ad eum, et ob reverentiam Salvatoris ab eo suppliciter pro se suisque veniam postulavit.

TEXTO TRADUZIDO

Primeira Vida (1Cel) - 16

Capítulo 7 - Como, preso por ladrões, foi jogado na neve, e como serviu os leprosos.

16. 
1 Vestido de andrajos, ele que em outros tempos andara de escarlate, e cantando os louvores de Deus em francês através de um bosque, foi assaltado por ladrões. 
2 Perguntaram-lhe brutalmente quem era, e ele respondeu forte e confiante: “Sou um arauto do grande Rei! Que é que vocês têm com isso?” 
3 Bateram nele e o jogaram numa fossa cheia de neve, dizendo: “Fica aí, pobre arauto de Deus”. 
4 Quando se afastaram, revirou-se na fossa e conseguiu sair, sacudindo a neve. Com alegria redobrada, começou a cantar em voz alta pelos bosques os louvores do Criador de tudo. 
5 Chegando a um mosteiro, passou muitos dias na cozinha como servente, vestido apenas com uma túnica vil. Quisera saciar-se com um pouco de caldo. 
6 Mas ninguém teve pena dele e não conseguiu sequer alguma roupa velha. Saiu dali, não levado pela raiva mas pela necessidade, e foi para a cidade de Gúbio, onde conseguiu uma túnica com um de seus velhos amigos. 
7 Algum tempo depois, quando a fama do homem de Deus cresceu e o seu nome se espalhou no meio do povo, o prior daquele mosteiro, recordando e compreendendo o que fora feito contra o homem de Deus, procurou-o e pediu-lhe perdão por amor de Deus em seu nome e no dos monges.