LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 26

     

    Caput XI - De spiritu prophetiae et monitis sancti Francisci.

    26. 

    1 Beatus igitur pater Franciscus consolatione ac gratia Spiritus Sancti quotidie replebatur (cfr. Act 9,31), omnique vigilantia et sollicitudine novos filios novis institutionibus informabat, sanctae paupertatis beataeque simplicitatis viam gressu indeclinabili eos edocens ambulare. 
    2 Quadam vero die, cum Domini misericordiam super impensis sibi beneficiis miraretur, et conversationis suae suorumque processum concupisceret sibi a Domino indicari, locum orationis petiit, sicut et saepissime faciebat, 
    3 ubi cum diu perseveraret cum timore et tremore (cfr. Tob 13,6) Dominatori universae terrae (cfr. Zac 4,14) assistens, et in amaritudine animae suae annos (cfr. Is 38,15) male expensos recogitaret, 
    4 frequenter replicans verbum illud: “Deus, propitius esto mihi peccatori” (Luc 18,13), 
    5 quaedam laetitia indicibilis et suavitas maxima sensim coepit cordis eius intima superfundere. 
    6 Coepit quoque a semetipso deficere, compressisque affectibus ac tenebris effugatis, quae timore peccati fuerant in corde suo concretae, infusa est sibi certitudo remissionis omnium delictorum et fiducia exhibita est in gratiam respirandi. 
    7 Raptus est deinde supra se, atque in quodam lumine totus absorptus, dilatato mentis sinu, quae futura erant luculenter inspexit. 
    8 Recedente denique suavitate illa cum lumine, spiritu innovatus, iam mutatus in virum (cfr. Ps 50,12; 1Re 10,6) alterum videbatur.

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 26

     

    Capítulo 11 - Do espírito profético e das advertências de São Francisco

    26. 

    1 O bem-aventurado Francisco se enchia todos os dias da consolação e da graça do Espírito Santo. Com todo o cuidado e solicitude, dava a seus novos filhos a nova formação, ensinando-os a trilhar com passo seguro o caminho da santa pobreza e da bem-aventurada simplicidade. 
    2 Certo dia, admirando a misericórdia do Senhor nos muitos benefícios que executava por seu intermédio, e desejando que o Senhor se dignasse mostrar-lhe como ele e os seus deveriam progredir na perfeição, foi para um lugar de oração, como fazia com freqüência. 
    3 Lá ficou bastante tempo rezando com temor e tremor, diante do Senhor de toda a terra. Relembrando com amargura os anos que aproveitara mal, 
    4 repetia sem cessar: “Meu Deus, tende compaixão de mim que sou pecador” (Lc 18,13), 
    5 Pouco a pouco, começou a sentir o coração inundar-se de uma alegria incontável e de uma suavidade sem tamanho. 
    6 Também começou a sentir que saía de si mesmo, dissipando-se os temores e as trevas que se tinham juntado em seu coração por medo do pecado, e lhe foi infundida uma certeza da remissão de todos os pecados e uma confiança de que viveria da graça. 
    7 Arrebatado em êxtase e absorvido totalmente em claridade, alargou-se a sua mente e pôde ver com clareza os acontecimentos futuros. 
    8 Quando a suavidade e a luz se afastaram, ele, renovado no espírito, parecia transformado em um novo homem.