LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 40

    40. 
    1 Ita eos virtus patientiae circumdarat, ut quaererent potius ibi esse, ubi persecutionem suorum corporum paterentur, quam ubi possent, sanctitate ipsorum cognita vel laudata, mundi favoribus sublevari. 
    2 Nam multoties opprobria passi, contumeliis affecti, denudati, verberati, ligati, carcerati, nullius patrocinio se tuentes, cuncta sic viriliter sustinebant, ut in ore ipsorum nonnisi sola vox laudis et gratiarum actio (cfr. Is 51,3) ressonaret. 
    3 Vix vel numquam a laude Dei et oratione cessabant, sed continua discussione quidquid egerant recolligentes, pro bene actis gratias Deo, por neglectis et incaute commissis gemitus et lacrimas persolvebant.
    4 Relictos a Deo se fore putabant, si non se in spiritu devotionis solita pietate iugiter cognoscerent visitari. 
    5 Cum enim orationibus incumbere vellent, ne ipsos arriperet somnus, aliquo adminiculo tenebantur: aliqui suspensis funibus fulciebantur, ne per somni surreptionem oratio turbaretur. 
    6 Aliqui se instrumentis ferreis circumdabant, aliqui vero ligneis ergastulis se cingebant. 
    7 Si quando ciborum copia vel potus, ut assolet, eorum sobrietas turbaretur, vel itineris lassitudine necessitatis metas vel in modico pertransirent, multorum dierum abstinentia se acerbissime cruciabant. 
    8 Tanta denique maceratione incentiva carnis reprimere satagebant, ut in frigidissima glacie non abhorrerent saepius se nudare, ac totum corpus spinarum aculeis compungentes effusione sanguinis irrigare.

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 40

    40. 
    1 Tinham adquirido tanta paciência que preferiam estar nos lugares onde os perseguiam e não onde sua santidade fosse conhecida e louvada, e assim pudessem conseguir os favores do mundo. 
    2 Foram muitas vezes cobertos de opróbrios e de ofensas, despidos, açoitados, amarrados, encarcerados, sem recorrer à proteção de ninguém, e suportavam tudo varonilmente, vindo à sua boca apenas a voz do louvor e da ação de graças. 
    3 Poucas vezes, ou nunca, deixavam de louvar a Deus ou de rezar, mas estavam sempre lembrando uns aos outros tudo que tinham feito, agradecendo a Deus pelas coisas boas, gemendo e chorando pelas negligências e descuidos. 
    4 Julgavam-se abandonados por Deus se não fossem por Ele continuamente visitados com a piedade habitual no espírito da devoção. 
    5 Para não dormirem quando queriam rezar, usavam algum expediente: uns se agarravam a cordas suspensas para que a chegada do sono não perturbasse a oração, 
    6 outros se cingiam com cilícios de ferro e ainda outros rodeavam a cintura com instrumentos de madeira. 
    7 Se alguma vez a abundância de comida ou de bebida, como pode acontecer, perturbava sua sobriedade, ou pelo cansaço do caminho passavam além da necessidade absoluta, mortificavam-se, por pouco que fosse, com uma abstinência de muitos dias. 
    8 Afinal, punham tanto esforço em reprimir as tentações da carne, que muitas vezes não se horrorizavam de despir-se no gelo mais frio, nem de molhar o corpo todo com o sangue derramado por duros espinhos.