LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 45

     

    Caput XVII - Quomodo beatus Francicus docuit fratres orare, et de obedientia et puritate fratrum.

    45. 
    1 Deprecati sunt eum fratres tempore illo, ut doceret eos orare (cfr. Luc 11,1), quoniam in simplicitate spiritus ambulantes (cfr. Prov 20,7), adhuc ecclesiasticum officium ignorabant. 
    2 Quibus ipse ait: “Cum orabitis dicite: Pater noster (cfr. Mat 6,9)” et: “Adoramus te, Christe, et ad omnes ecclesias tuas quae sunt in universo mundo, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum”. 
    3 Hoc autem ipsi fratres pii magistri discipuli, summa cum diligentia observare curabant, quia non ea tantum quae beatus pater Franciscus dicebat eis fraterno consilio seu paterno imperio, verum etiam si ea quae cogitabat vel meditabatur ipse aliquo scire possent indicio, studebant efficacissime adimplere. 
    4 Dicebat enim eis ipse beatus pater, veram obedientiam fore non solum prolatam sed excogitatam, non solum imperatam sed desideratam; 
    5 hoc est: “Si frater fratris praelati subditus non solum audiat vocem, sed comprehendat voluntatem, statim ad obedientiam totum se debet colligere ac facere quod eum velle signo aliquo comprehendet”. 
    6 In quocumque propterea loco aliqua ecclesia constructa foret, etiamsi praesentes non erant, tantum possent eam utcumque cernere de remotis, inclinabant se versus eam proni super terram, et inclinato utroque homine, adorabant Omnipotentem dicentes: “Adoramus te, Christe, et ad omnes ecclesias tuas”, sicut eos docuerat sanctus pater . 
    7 Et, quod non minus est admirandum, ubicumque crucem vel crucis signum intuebantur, sive in terra, sive in pariete, sive in arboribus, sive in saepibus viarum, faciebant hoc idem.

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 45

     

    Capítulo 17 - Como o bem-aventurado Francisco ensinou os irmãos a rezar, e da obediência e simplicidade dos frades.

    45. 
    1 Rogaram-lhe os frades, nesse tempo, que os ensinasse a rezar, porque, vivendo na simplicidade do espírito, ainda não conheciam o ofício eclesiástico. 
    2 Respondeu-lhes: “Quando orardes, dizei: ‘Pai nosso’ e ‘Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas que estão pelo mundo inteiro, e vos bendizemos, porque por vossa santa cruz remistes o mundo’”. 
    3 Discípulos do piedoso mestre, os frades procuravam observar tudo com a maior diligência, porque tratavam de cumprir com exatidão não só o que o bem-aventurado pai Francisco lhes dizia quando dava conselhos ou ordens, mas até o que ele estava pensando ou planejando, se conseguiam saber o que era. 
    4 Dizia-lhes também o santo pai que a verdadeira obediência devia ser até descoberta antes de manifestada e desejada antes de imposta. 
    5 Isto é: “Se um irmão que é súdito não só ouvir a voz mas até perceber a vontade de seu superior, deve tratar de obedecer imediatamente e de fazer o que, por algum indício, adivinhou que ele quer”. 
    6 Em qualquer lugar onde houvesse uma igreja, mesmo que não estivessem presentes, contanto que a pudessem ver de longe, prostravam-se por terra na sua direção e, inclinados de corpo e alma, adoravam o Todo-Poderoso, dizendo: “Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as vossas igrejas”, como lhes ensinara o santo pai. 
    7 E, o que não é menos para se admirar, faziam o mesmo onde quer que vissem uma cruz ou seu sinal, no chão, numa parede, nas árvores ou nas cercas do caminho.