LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Primeira Vida (1Cel)

TEXTO ORIGINAL

Prima Vita (1Cel) - 47

 

Caput XVIII - De curru igneo et notitia absentium quam beatus Franciscus habebat.

47. 
1 Ambulantes coram Deo simpliciter et coram hominibus confidenter (cfr. Gen 17,1; Prov 10,9), meruerunt tunc temporis fratres divina revelatione laetificari. 
2 Dum enim igne Spiritus Sancti succensi, non solum constitutis horis verum etiam qualibet hora, cum parum eos terrena sollicitudo vel molesta curarum anxietas occuparet, Pater noster (cfr. Mat 6,9) in melodia spiritus, voce supplici decantarent, beatissimus pater Franciscus, nocte quadam, se ab eis corpore absentavit. 
3 Et ecce, fere media noctis hora, quibusdam e fratribus quiescentibus, quibusdam vero in silentio affectuose orantibus, per ostiolum domus currus igneus splendissimus intrans, bis et ter huc atque illuc (cfr. 4Re 1,11.14) per domicilium se convertit, supra quem globus maximus residebat, qui solis habens aspectum, noctem clarere fecit. 
4 Obstupefacti sunt vigilantes, exterriti sunt (cfr. Luc 2,8; Mat 24,4) dormientes, et non minus cordis senserunt quam corporis claritatem. 
5 Convenientibus quoque in unum, coeperunt quaerere inter se, quid hoc esset (cfr. 1Cor 11,20; Luc 22,23): sed ex vi et gratia tantae lucis, unius alteri erat conscientia manifesta. 
6 Intellexerunt denique ac noverunt animam sancti patris exstitisse fulgore tam maximo radiantem, quae ob praecipuae puritatis suae gratiam et magnae pietatis in filios curam, tanti muneris benedictionem a Domino meruit obtinere.

TEXTO TRADUZIDO

Primeira Vida (1Cel) - 47

 

Capítulo 18 - Do carro de fogo e do conhecimento que o bem-aventurado Francisco tinha das coisas ausentes.

47. 
1 Porque caminhavam com simplicidade diante de Deus e com segurança diante dos homens, nessa ocasião mereceram os frades a alegria de uma revelação divina. 
2 Certa noite, inflamados pelo Espírito Santo, estavam cantando suplicantes o pai-nosso numa melodia religiosa (pois não rezavam só nas horas marcadas mas em qualquer hora, uma vez que não tinham preocupações terrenas), quando numa noite o bem-aventurado pai se ausentou corporalmente deles. 
3 Lá pela meia-noite, quando alguns frades descansavam e outros rezavam em silêncio com devoção, entrou pela pequena porta um rutilante carro de fogo, deu duas ou três voltas para cá e para lá na casa, tendo sobre ele um globo enorme, que era parecido com o sol e iluminou a noite. 
4 Os que estavam acordados se espantaram e os que estavam dormindo se assustaram, pois sentiram uma claridade não só corporal mas também interior. 
5 Reuniram-se e começaram a discutir entre si o que seria aquilo: por força e graça de toda aquela luz, cada um enxergava a consciência do outro. 
6 Compreenderam, afinal, e souberam que a alma do santo pai brilhava com tamanho fulgor que, sobretudo por sua pureza e por seu zeloso cuidado pelos filhos, tinha conseguido de Deus a graça desse enorme benefício.