LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Primeira Vida (1Cel)

TEXTO ORIGINAL

Prima Vita (1Cel) - 55

 

Caput XX - De desiderio quo ad suscipiendum martyrium ferebatur Hispaniam primo, deinde Syriam deambulans, et quomodo Deus per eum nautas de periculo, multiplicatis cibariis liberavit.

55. 
1 Amore divino fervens, beatissimus pater Franciscus studebat semper ad fortia mittere manum (cfr. Prov 31,19), et dilatato corde viam mandatorum (cfr. Ps 118,32) Dei ambulans, perfectionis summam attingere cupiebat. 
2 Sexto namque conversionis suae anno, sacri martyrii desiderio maxime flagrans, ad praedicandam fidem christianam et poenitentiam Saracenis et caeteris infidelibus, ad partes Syriae voluit transfetare.                                                       3 Qui cum navem quamdam, ut illuc tenderet, intravisset, ventis contrariis flantibus, in partibus Sclavoniae cum caeteris navigantibus se invenit. 
4 Videns autem a tanto desiderio se fraudatum, facto modico temporis intervallo, nautas quosdam Anconam tendentes, ut eum secum ducerent exoravit, quoniam eo in anno vix ulla navis potuit ad partes Syriae transmeare. 
5 Verum illis hoc agere pertinacius recusantibus propter expensarum defectum, sanctus Dei confidens plurimum de Domini bonitate, navem latenter cum socio introivit. 
6 Adfuit, divina providentia, tunc quidam, omnibus ignorantibus, secum necessaria victus ferens, qui quemdam Deum timentem (cfr. Iob 1,1) de navi ad se vocavit et ait ad eum: “Tolle tecum (cfr. Tob 11,4) haec omnia, et pauperibus his in navi latitantibus necessitatis tempore (cfr. Sir 8,12) fideliter exhibebis. 
7 Sicque factum est ut, cum, tempestate nimia exorta, per multos dies laborantes in remigando (cfr. Mar 6,48), cibaria omnia consumpsissent, sola pauperis Francisci cibaria superessent. 
8 Quae in tantum divina gratia et virtute multiplicata sunt ut, cum adhuc plurium dierum forent navigationis itinera, ex sui copia usque ad portum Anconae omnium necessitatibus plenissime subvenirent. 
9 Videntes itaque nautae se per servum Dei Franciscum maris pericula evasisse, gratias egerunt omnipotenti Deo (cfr. Sir 50,19), qui semper in servis suis mirabilem et amabilem ostendit.

TEXTO TRADUZIDO

Primeira Vida (1Cel) - 55

Capítulo 20 - Do desejo de martírio que o levou primeiro à Espanha e depois à Síria. E como, por sua intercessão, Deus livrou os marinheiros do perigo, multiplicando a comida.

55. 
1 Ardendo em amor de Deus, o santo pai Francisco sempre quis empreender as coisas mais difíceis, e percorrendo o caminho dos mandamentos do Senhor com o coração aberto, queria atingir o cume da perfeição. 
2 No sexto ano de sua conversão, inflamado em veemente anseio do santo martírio, quis navegar para a região da Síria, para pregar a fé cristã e a penitência aos sarracenos e outros infiéis. 
3 Tomou um navio que ia para lá, mas sopravam ventos contrários e foi parar com os outros navegantes na Esclavônia. 
4 Vendo-se frustrado em tão vivo desejo, pediu pouco tempo depois a uns marinheiros que iam para Ancona que o levassem, porque naquele ano quase nenhum navio pôde ir para a Síria. 
5 Como eles se recusassem firmemente a levá-lo, porque não podia pagar, o santo confiou muito na vontade do Senhor e entrou escondido no navio com o seu companheiro. 
6 Por providência divina, uma pessoa que ninguém conhecia chegou trazendo provisões, chamou um homem temente a Deus que ia no navio e lhe disse: “Leva contigo tudo isto e, quando for necessário, deverás dá-las fielmente aos pobres que estão escondidos nesse navio”. 
7 E assim aconteceu que, levantando-se uma tempestade enorme, passaram dias lutando com os remos e consumiram todas as provisões, sobrando apenas a comida do pobre Francisco. 
8 Mas, pela graça e o poder de Deus, essa comida se multiplicou de tal modo que, embora tenham passado muitos outros dias a navegar, foi suficiente para satisfazer bem a necessidade de todos, até chegarem ao porto de Ancona. 
9 Quando os marinheiros perceberam que tinham escapado dos perigos do mar por intermédio do servo de Deus São Francisco, deram graças ao Senhor todo-poderoso, que em seus servidores sempre se mostra bondoso e admirável.