LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 61

    61. 
    1 Eodem quoque pietatis affectu erga pisces ducebatur, quos, cum opportunitatem haberet, captos in aquam vivos reiciebat, praecipiens eis cavere sibi, ne iterum caperentur. 
    2 Cum enim tempore quodam in lacu Reatino iuxta quemdam portum in navicula resideret, piscator quidam piscem magnum capiens, qui vulgo dicitur tinca, illum devotus obtulit ei. 
    3 Qui eum hilariter et benigne suscipiens, fraterno nomine ipsum vocare coepit, et extra naviculam eum in aqua reponens, coepit devotus benedicere nomen Domini (cfr. Ps 112,2). 
    4 Sicque aliquamdiu, dum in oratione persisteret, dictus piscis iuxta naviculam ludens in aqua, non recedebat de loco, in quo eum posuerat, donec, oratione completa, sanctus Dei recedendi sibi licentiam exhiberet. 
    5 Sic enim gloriosus pater Franciscus in via obedientiae ambulans et divinae subiectionis perfecte iugum amplectens, in creaturarum obedientia magnam coram Deo adeptus est dignitatem. 
    6 Nam et aqua in vinum ei conversa est, cum tempore quodam apud eremum Sancti Urbani aegritudine gravissima laboraret. 
    7 Ad cuius gustum tanta facilitate convaluit, ut divinum fore miraculum, sicut et erat, ab omnibus crederetur. 
    8 Et vere sanctus, cui sic obediunt creaturae, cuius et ad nutum in alteros usus ipsa transeunt elementa.

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 61

    61. 
    1 Tinha a mesma afeição para com os peixes e, nas oportunidades que teve, devolveu-os à água, aconselhando-os a tomarem cuidado para não serem pescados outra vez. 
    2 Numa ocasião em que estava numa barca junto ao porto do lago de Rieti, um pescador pegou um peixe muito grande, desses que chamam de tenca, e lhe deu de presente com devoção. 
    3 O santo recebeu-o com alegria e bondade, começou a chamá-lo de irmão e, colocando-o na água fora da barca, pôs-se a abençoar devotamente o nome do Senhor. 
    4 Enquanto o santo rezava, o peixe ficou brincando na água, sem se afastar do lugar em que tinha sido posto, até que, no fim da oração, o santo lhe deu licença para ir embora. 
    5 Foi assim que o glorioso pai São Francisco, andando pelo caminho da obediência e escolhendo com perfeição o jugo da submissão a Deus, recebeu diante do Senhor a grande dignidade de ser obedecido pelas suas criaturas. 
    6 Uma vez até a sua água foi mudada em vinho, quando esteve muito doente na ermida de Santo Urbano. 
    7 Quando o provou, sarou com tanta facilidade que todos acreditaram que era um milagre, como foi de verdade. 
    8 Só pode ser santa uma pessoa a quem as criaturas obedecem e à cuja vontade até os outros elementos se transformam.