LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • Tomás de Celano
  • Primeira Vida (1Cel)

TEXTO ORIGINAL

Prima Vita (1Cel) - 91

Caput II - De summo desiderio beati Francisci, et qualiter in libri apertione intelexit de se Domini voluntatem.

91. 
1 Tempore quodam beatus et venerabilis pater Franciscus, relictis saecularibus turbis, quae ad audiendum et videndum eum quotidie devotissime concurrebant, locum quietis et secretum solitudinis petit, cupiens ibi vacare Deo et extergere, si quid pulveris sibi ex conversatione hominum adhaesisset (cfr. Luc 10,11). 
2 Mos eius erat tempus impensum sibi ad gratiam promerendam dividere, et, prout oportere videbat, aliud proximorum lucris impendere, aliud contemplationis beatis secessibus consummare. 
3 Assumpsit proinde secum (Luc 9,28; Mar 14,33) socios valde paucos, quibus eius conversatio sancta magis quam caeteris nota erat, ut tuerentur eum ab incursu et conturbatione hominum (cfr. Ps 90,6; 30,21), et suam quietem in omnibus diligerent ac servarent. 
4 Cumque illic aliquamdiu permansisset, et oratione continua frequentique contemplatione divinam familiaritatem modo ineffabili fuisset adeptus, quid aeterno Regi (cfr. Ps 28,10) de se et in se foret acceptius aut esse posset, cognoscere cupiebat. 
5 Curiosissime exquirebat et piisime anhelabat scire, quali modo, quali via aut quali desiderio Domino Deo valeret, iuxta consilium et beneplacitum (cfr. Sir 40,25) voluntatis suae, perfectius adhaerere. 
6 Haec summa eius philosophia semper fuit, hoc summum desiderium in eo, quoad vixit, semper flagravit (cfr. Num 11,4), ut quaereret a simplicibus, a sapientibus, a perfectis et imperfectis, qualiter posset viam apprehendere veritatis (cfr. Ps 118,30) et ad maius propositum pervenire.

TEXTO TRADUZIDO

Primeira Vida (1Cel) - 91

Capítulo 2 - Do maior desejo de São Francisco e de como compreendeu a vontade de Deus a seu respeito ao abrir o livro.

91. 
1 Certa ocasião, o bem-aventurado e venerável pai São Francisco afastou-se das multidões que todos os dias acorriam cheias de devoção para vê-lo e ouvi-lo e procurou um lugar calmo, secreto e solitário para poder se entregar a Deus e limpar o pó que pudesse ter adquirido no contato com as pessoas. 
2 Costumava dividir o tempo que tinha recebido para merecer a graça de Deus e, conforme a oportunidade, consagrar uma parte ao auxílio do próximo e outra à contemplação no retiro. 
3 Por isso levou consigo muito poucos companheiros, os que melhor conheciam sua vida santa, para que o protegessem da invasão e da perturbação das pessoas, e para que preservassem com amor o seu recolhimento. 
4 Passado algum tempo nesse lugar e tendo conseguido, por uma oração contínua e uma contemplação freqüente, uma inefável familiaridade com Deus, teve vontade de saber o que o Rei eterno mais queria ou podia querer dele. 
5 Buscava com afã e desejava com devoção saber de que modo, por que caminho e com que desejos poderia aderir com maior perfeição ao Senhor Deus segundo a inspiração e o beneplácito de sua vontade. 
6 Essa foi sempre a sua mais alta filosofia, seu maior desejo, em que ardeu enquanto durou sua vida: gostava de perguntar aos simples e aos sábios, aos perfeitos e aos imperfeitos como poderia chegar ao caminho da verdade e atingir metas cada vez mais elevadas.