LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Prima Vita (1Cel) - 113

    113. 
    1 Cumque tam mira pulchritudine cunctis cernentibus (cfr. Ex 33,10) resplenderet, et caro eius candidior esset effecta, cernere mirabile erat in medio manuum et pedum ipsius non clavorum quidem puncturas sed ipsos clavos ex eius carne compositos, ferri retenta nigredine, ac dextrum latus sanguine rubricatum. 
    2 Non incutiebant horrorem mentibus intuentium signa martyrii, sed decorem multum conferebant et gratiam, sicut in pavimento albo nigri lapilli solent. 
    3 Accurrebant fratres et filii, et collacrimantes deosculabantur manus et pedes pii patris eos derelinquentis, necnon et dextrum latus, in cuius plaga illius memoria celebris agebatur, qui ex eo loco sanguinem et aquam pariter fundens, mundum reconciliavit (cfr. Rom 5,10; 2Cor 5,19) Patri. 
    4 Maximum donum sibi exhiberi credebat quivis de populo, se admittebatur non solum ad deosculandum, sed etiam ad videndum sacra stigmata Iesu Christi, quae sanctus Franciscus portabat in corpore (cfr. Gal 6,17) suo. 
    5 Quis enim hoc videns fletui et non magis gaudio esset intentus, et si fleret, non magis prae laetitia quam prae dolore id faceret? 
    6 Cuius tam ferreum pectus non moveretur ad gemitum? 
    7 Cuius tam lapideum cor (cfr. Ez 11,19) non scinderetur ad compunctionem, non accenderetur ad divinum amorem, non armaretur ad bonam voluntatem? 
    8 Quis tam hebes, tam insensibilis, qui manifesta non cognosceret veritate sanctum istum, sicut singulari munere honoratum in terris, sic ineffabili gloria magnificatum fore in caelis (cfr. Is 33,5)?

    TEXTO TRADUZIDO

    Primeira Vida (1Cel) - 113

    113. 
    1 Resplandecendo essa admirável beleza diante de todos os que assistiam, e como sua carne tinha ficado mais alva, era admirável ver em suas mãos e pés não as feridas dos cravos mas os próprios cravos, formados por sua carne, com a cor escura do ferro, e o seu lado direito rubro de sangue. 
    2 Os sinais do martírio não incutiam horror nos que olhavam, mas emprestavam muita beleza e graça, como pedrinhas pretas num pavimento branco. 
    3 Acorriam os frades seus filhos e, chorando, beijavam as mãos e os pés do piedoso pai que os deixava, e também o lado direito, cuja chaga era uma lembrança preclara daquele que também derramou sangue e água desse mesmo lugar e assim nos reconciliou com o Pai. 
    4 As pessoas do povo achavam que era o maior favor serem admitidas não apenas para beijar mas até só para ver os sagrados estigmas de Jesus Cristo, que São Francisco trazia em seu corpo. 
    5 Quem, diante dessa visão, não seria levado mais à alegria do que ao pranto? Se alguém chorava era mais pela alegria que pela dor. 
    6 Quem teria um coração de ferro para ficar sem gemer? 
    7 Quem teria um coração de pedra, que não se partisse de compunção, não se acendesse pelo amor divino, não se enchesse de boa vontade? 
    8 Quem poderia ser tão duro e insensível que não chegasse a entender que o santo, honrado na terra por esse privilégio especial, devia ser exaltado no céu com uma glória inefável?