LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - I,3


1 Nocte vero sequenti, cum se sopori dedisset, palatium speciosum et magnum cum militaribus armis crucis Christi signaculo insignitis clementia sibi divina monstravit, ut misericordiam pro summi Regis amore pauperi exhibitam militi praeostenderet incomparabili compensandam esse mercede. 
2 Unde et cum quaereret, cuius essent: illa omnia sua fore militumque suorum, superna fuit assertione responsum. 
3 Evigilans itaque mane, cum nondum haberet exercitatum animum ad divina perscrutanda mysteria nesciretque per visibilium species transire ad contuendam invisibilium veritatem, magnae fore prosperitatis indicium aestimabat insolitam visionem. 
4 Disposuit itaque, divinae adhuc dispositionis ignarus, in Apuliam ad quemdam liberalem comitem se conferre, in ipsius sperans obsequio decus adipisci militiae, ut ostensa sibi visio praetendebat. 
5 Cumque, paulo post iter aggressus, ivisset usque ad proximam civitatem, audivit in nocte Dominum familiari sibi allocutione dicentem:”Francisce, quis potest melius facere tibi, dominus aut servus, dives aut pauper?”. 
6 Cui cum Franciscus respondisset, quod tam dominus quam dives facere melius potest, intulit statim:”Cur ergo relinquis pro servo Dominum et pro paupere homine divitem Deum?”.
7 Et Franciscus:”Quid me vis, Domine, facere?”. Et Dominus ad eum (cfr. Act 9,6):”Revertere in terram tuam (cfr. Gen 32,9), quia visio, quam vidisti, spiritualem praefigurat effectum, non humana sed divina in te dispositione complendum”. 
8 Mane itaque facto (cfr. Ioa 21,4), cum festinatione revertitur versus Assisium securus et gaudens, et iam exemplar obedientiae factus, exspectabat Domini voluntatem.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - I,3


1 Na noite seguinte, quando se entregou ao sono, a clemência divina mostrou-lhe um palácio esplêndido e grande, com armas de guerra marcadas com o sinal da cruz de Cristo, para demonstrar antecipadamente que a misericórdia demonstrada ao pobre soldado pelo amor do sumo Rei seria compensada por uma incomparável mercê. 
2 Por isso, quando perguntou de quem era tudo aquilo, foi-lhe respondido por uma afirmação superna que seria dele e de seus soldados. 
3 Quando acordou de manhã, como ainda não tinha o ânimo exercitado para prescrutar os mistérios divinos e não soubesse passar das figuras de coisas visíveis para ter uma visão da verdade das invisíveis, achava que a visão seria o indício de uma grande prosperidade. 
4 Decidiu portanto, desconhecendo ainda a disposição divina, ir para a Apúlia encontrar-se com certo conde liberal, esperando conseguir por seu obséquio a honra militar, como indicava a visão que lhe fora mostrada. 
5 Mas quando, pouco depois, começou a viagem e chegou até a próxima cidade, ouviu de noite o Senhor que lhe dizia com uma voz familiar: “Francisco, quem pode te fazer melhor, o senhor ou o servo, o rico ou o pobre?”. 
6 Como Francisco lhe respondesse que tanto o senhor quanto o rico poderiam fazer melhor, acrescentou imediatamente: “Então, por que deixas o Senhor pelo servo e o Deus rico pelo homem pobre?”. 
7 E Francisco: “Senhor, que queres que eu faça?”. E o Senhor lhe disse: “Volta para tua terra, porque a visão que tiveste prefigura um efeito espiritual, que deverá cumprir-se em ti não por uma disposição humana, mas divina”. 
8 Por isso, quando amanheceu, voltou depressa para Assis, seguro e alegre, e, feito já um exemplo de obediência, esperava a vontade do Senhor.