LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - II,1

Caput II - De perfecta conversione eius ad Deum et de reparatione trium ecclesiarum. 


1 Quoniam autem servus Altissimi doctorem non habebat aliquem in huiusmodi nisi Christum, addidit adhuc ipsius clementia eum in gratiae visitare dulcedine. 
2 Dum enim die quadam, egressus ad meditandum in agro (cfr. Gen 24,63), deambularet iuxta ecclesiam Sancti Damiani, quae minabatur prae nimia vetustate ruinam, et in eam, instigante se spiritu, causa orationis intrasset; prostratus ante imaginem Crucifixi, non modica fuit in orando spiritus consolatione repletus. 
3 Cumque lacrymosis oculis intenderet in dominicam crucem, vocem de ipsa cruce dilapsam (cfr. 1Pet 1,17) ad eum corporeis audivit auribus; ter dicentem:”Francisce, vade et repara domum meam, quae, ut cernis, tota destruitur!”. 
4 Tremefactus Franciscus, cum esset in ecclesia solus, stupet ad tam mirandae vocis auditum, cordeque percipiens divini virtutem eloquii, mentis alienatur excessu. 
5 In se tandem reversus, ad obediendum se parat, totum se recolligit ad mandatum de materiali ecclesia reparanda, licet principalior intentio verbi ad eam ferretur, quam Christus suo sanguine acquisivit (cfr. Act 20,28), sicut eum Spiritus sanctus edocuit, et ipse postmodum fratribus revelavit. 
6 Surrexit proinde, signo crucis se muniens, et assumptis pannis venalibus, ad civitatem quae Fulginium dicitur festinus accessit, ibique venditis quae portarat, equum cui tunc insederat, felix mercator, assumpto pretio, dereliquit; 
7 rediensque Assisium, ecclesiam de cuius reparatione mandatum acceperat, reverenter intravit et invento illic sacerdoti pauperculo reverentiam decentem exhibuit, ad reparationem ecclesiae et pauperum usum pecuniam obtulit, et ut secum se morari pateretur ad tempus, humiliter requisivit. 
8 Acquievit sacerdos de mora ipsius sed timore parentum pecuniam non recepit, quam verus pecuniarum contemptor in quamdam fenestram proiciens, abiectam velut pulverem vilipendit.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - II,1

Capítulo 2 – Sobre a sua perfeita conversão a Deus e sobre a reparação de três igrejas. 


1 Mas como o servo do Altíssimo não tinha ninguém para ensiná-lo nessas coisas a não ser Cristo, a clemência dele ainda acrescentou mais uma visita da doçura de sua graça. 
2 Pois quando, certo dia, tinha saído para meditar no campo e passeava perto da igreja de São Damião, que ameaçava ruína por ser muito velha e, por instigação do espírito, entrou nela para rezar, quando se prostrou diante da imagem do Crucificado ficou repleto de não pouca consolação do espírito na oração. 
3 Quando olhava, com os olhos em lágrimas, para a cruz do Senhor, ouviu com os ouvidos de seu corpo uma voz que vinha da própria cruz e lhe disse três vezes: “Francisco, vai e repara minha casa, que, como vês, está se destruindo toda!”. 
4 A tremer, Francisco, que estava sozinho na igreja, ficou estupefato por ouvir essa voz tão admirável, e ao perceber com o coração a força da palavra divina, ficou alienado num transbordamento da mente. 
5 Voltando finalmente a si, preparou-se para obedecer, recolheu-se todo para o mandato de reparar a igreja material, ainda que a intenção principal da palavra se referisse àquela que Cristo pagou com o seu sangue, como lhe ensinou o Espírito Santo e ele revelou mais tarde aos frades. 
6 Levantou-se, então, e, munindo-se com o sinal da cruz, pegou panos para vender e foi depressa para a cidade que se chama Foligno. Lá, tendo vendido o que levara, como era um bom comerciante, deixou o cavalo em que fora montado, depois de receber seu pagamento. 
7 Voltando a Assis, entrou reverentemente na igreja de cuja reparação tinha recebido um mandamento e, tendo lá encontrado um sacerdote pobrezinho, fez-lhe a reverência adequada e lhe ofereceu o dinheiro para reparar a igreja e para o uso dos pobres. E pediu humildemente que permitisse que morasse com ele por algum tempo. 
8 O sacerdote concordou com a moradia mas, com medo dos pais dele, não recebeu o dinheiro, que o verdadeiro desprezador de dinheiro jogou numa janela, fazendo pouco dele como se fosse abjeto como o pó.