LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - II,6


    1 Et veniens ad quoddam vicinum coenobium, eleemosynam petiit ut mendicus et recepit ut incognitus et despectus. 
    2 Inde vero progrediens devenit Eugubium, ubi a quodam amico pristino agnitus et susceptus, paupere tunicula ut Christi pauperculus est contectus. 
    3 Exinde totius humilitatis amator se transtulit ad leprosos eratque cum eis, diligentissime serviens omnibus propter Deum. 
    4 Lavabat ipsorum pedes, ligabat ulcera, educebat plagarum putredinem et saniem abstergebat; 
    5 Osculabatur etiam ex miranda devotione ulcerosas plagas ipsorum, evangelicus medicus mox futurus. 
    6 Propter quod tantam est a Domino consecutus virtutem, ut in spiritualibus et corporalibus morbis mirabiliter expurgandis mirabilem efficaciam obtineret. 
    7 Referam unum de multis, quod accidit, viri Dei fama postmodum latius clarescente. 
    8 Cum enim cuiusdam de comitatu Spoletano os pariter et maxillam morbus quidam horribilis depascendo corroderet, nec subveniri posset eidem aliquo medicinae remedio; 
    9 contigit, ut propter Sanctorum exposcenda merita Apostolorum visitatis liminibus, de peregrinatione rediens, servo Dei occurreret; 
    10 cumque prae devotione vellet ipsius osculari vestigia, vir humilis hoc non ferens, osculari volenti pedes osculum oris dedit. 
    11 Dum autem leprosorum servus Franciscus mirabili pietate illam plagam horribilem ore sacro contingeret, omni fugato morbo, subito aeger ille sanitatem recuperavit optatam. 
    12 Nescio, quod horum magis sit merito admirandum, an humilitatis profunditas in osculo tam benigno, an virtutis praeclaritas in miraculo tam stupendo.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - II,6


    1 Chegando a um cenóbio vizinho, pediu esmola como um mendigo e recebeu-a como um desconhecido e desprezado. 
    2 Continuando daí para diante, chegou a Gúbio, onde foi reconhecido e recebido por um amigo antigo, sendo por ele vestido com uma túnica como um pobrezinho de Cristo. 
    3 Daí, ele, que amava toda humildade, se transferiu para os leprosos e ficou com eles, servindo com toda diligência a todos por causa de Deus. 
    4 Lavava seus pés, atava as feridas, tirava a podridão das chagas e enxugava o pús. 
    5 Também beijava, por admirável devoção, suas chagas ulcerosas, ele que logo seria um médico evangélico. 
    6 Por isso conseguiu tanta virtude da parte do Senhor que obtinha uma admirável eficácia para curar maravilhosamente doenças espirituais e corporais. 
    7 Vou contar um caso entre muitos, que aconteceu quando, posteriormente, a fama do homem de Deus ficara mais amplamente conhecida. 
    8 Pois quando uma doença horrível foi corroendo e devorando a boca e o maxilar de um homem do condado de Espoleto, e não havia remédio algum da medicina que pudesse ajudá-lo, 
    9 aconteceu que, tendo ido visitar os túmulos dos apóstolos para implorar seus méritos, voltando da peregrinação encontrou o servo de Deus. 
    10 E como por devoção quisesse beijar-lhe os vestígios, o homem humilde não o permitiu e beijou a boca daquele que queria beijar-lhe os pés. 
    11 Mas quando Francisco, servo dos leprosos, tocou com a boca sagrada e admirável piedade aquela chaga horrível, a doença desapareceu toda e aquele sofredor recuperou a saúde que desejava. 
    12 Dessas coisas, não sei o que merece mais admiração: se a profundidade da humildade em um ósculo tão bondoso ou se a grandeza da virtude num milagre tão estupendo.