LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

    TEXTO ORIGINAL

    Legenda Maior - IV,9


    1 Crescentibus quoque virtutum meritis in parvulis Christi, odor opinionis bonae circumquaque diffusus ad praesentiam sancti patris videndam plurimos e diversis mundi partibus attrahebat. 
    2 Inter quos quidam saecularium cantionum curiosus inventor, qui ab Imperatore propter hoc fuerat coronatus et inde Rex versuum dictus, virum Dei contemptorem mundialium adire proposuit. 
    3 Cumque apud castrum Sancti Severini eum praedicantem reperisset in monasterio quodam, facta manu Domini super (cfr. Ez 1,3) se, vidit eumdem crucis Christi praedicatorem Franciscum duobus transversis ensibus valde fulgentibus in modum crucis signatum, quorum unus a capite ad pedes, alius a manu in manum per pectus transversaliter tendebatur. 
    4 Non noverat facie servum Christi, sed tanto monstratum miraculo mox agnovit. 
    5 Subito stupefactus ad visum, incipit meliora proponere, tandemque verborum ipsius compuctus virtute, tamquam si esset gladio spiritus ex eius ore procedente transfixus, saecularibus pompis omnino contemptis, beato patri professione cohaesit. 
    6 Propter quod videns ipsum vir sanctus ab inquietudine saeculi ad Christi pacem perfecte conversum, fratrem Pacificum appellavit. 
    7 Hic postmodum in omni sanctitate proficiens, antequam fieret Minister in Francia — siquidem primus ibidem ministerii gessit officium — meruit iterato magnum Thau in fronte Francisci videre, quod colorum varietate distinctum, faciem ipsius miro venustabat ornatu. 
    8 Hoc quippe signum vir sanctus magno venerabatur affectu, frequenti commendabat eloquio 
    9 et in eis quas dirigebat litterulis manu propria subscribebat, tamquam si omne ipsius studium foret signare Thau, iuxta dictum propheticum super frontes virorum gementium et dolentium (cfr. Ez 9,4), ad Christum Iesum veraciter conversorum.

    TEXTO TRADUZIDO

    Legenda Maior - IV,9


    1 Como os pequeninos de Cristo cresciam também nos méritos das virtudes, difundiu-se o odor da boa fama por toda parte, atraíam muitas pessoas de diversas partes do mundo para ver a presença do santo pai. 
    2 Entre eles um famoso compositor de canções profanas, que por isso tinha sido coroado pelo imperador e então era chamado rei dos versos, resolveu ir ao homem de Deus, desprezador das coisas mundanas. 
    3 Como o encontrou no castro de São Severino, pregando em certo mosteiro, agindo sobre ele a mão de Deus, viu Francisco, pregador da cruz de Cristo, marcado em forma de cruz por duas espadas atravessadas e muito brilhantes, uma das quais ia da cabeça até os pés e outra se estendia de uma mão a outra, atravessando o peito. 
    4 Não conhecia de rosto o servo de Cristo mas, logo o reconheceu quando lhe foi mostrado por tão grande milagre. 
    5 Estupefato, na mesma hora, pelo que viu, começou a propor-se coisas melhores. Afinal, comovido pela força de suas palavras, como se tivesse sido atravessado pela espada do espírito que saía de sua boca, desprezou completamente as pompas seculares e se uniu ao bem-aventurado pai pela profissão. 
    6 Por vê-lo o homem santo perfeitamente convertido da inquietude do século para a paz de Cristo, chamou-o de Frei Pacífico. 
    7 Ele, crescendo posteriormente em toda santidade, antes de ser ministro na França — pois foi o primeiro que lá exerceu esse cargo — mereceu ver mais uma vez um grande Tau na fronte de Francisco, que, destacado pela variedade de cores, embelezava seu rosto com admirável ornato. 
    8 Na verdade, o homem santo venerava esse sinal com grande afeto, recomendava-o muitas vezes quando falava 
    9 e o subscrevia com a própria mão nas breves cartas que mandava, como se todo o seu esforço fosse marcar o Tau, de acordo com a frase profética, na fronte das pessoas que gemiam e sofriam (cfr. Ez 9,4), deveras convertidas a Jesus Cristo.