LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

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  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - V,6

6 
1 Otium autem omnium malarum cogitationum sentinam docebat summopere fugiendum, exemplo demonstrans, rebellem carnem et pigram disciplinis continuis et fructuosis laboribus esse domandam. 
2 Unde corpus suum fratrem asinum appellabat, tamquam laboriosis supponendum oneribus, crebris caedendum flagellis et vili pabulo sustentandum. 
3 Si quem vero cernebat otiosum et vagum aliorum velle manducare labores, fratrem muscam nominandum censebat, eo quod talis nihil boni faciens, sed benefacta inficiens, vilem et abominabilem se omnibus reddat. 
4 Propter quod dixit aliquando: ”Volo fratres meos laborare et exercitari, ne otio dediti, per illicita corde aut lingua vagentur”. 
5 Evangelicum siquidem volebat a fratribus observari silentium, ut videlicet ab omni otioso verbo omni tempore abstinerent sollicite, tamquam reddituri in die iudicii de huiusmodi rationem (cfr. Mat 12,36). 
6 Sed et si quem invenisset fratrem verbis assuetum inanibus, acriter arguebat; 
7 taciturnitatem modestam et puri cordis affirmans custodiam et non modicam esse virtutem, pro eo quod mors et vita fore dicuntur in manibus linguae (cfr. Prov 18,21), non tam ratione gustus quam ratione loquelae.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - V,6

6 
1 Ensinava que se deve fugir muito bem do ócio como o maior esgoto de maus pensamentos, e demonstrava com seu exemplo que a carne rebelde e preguiçosa tem que ser domada por contínuas disciplinas e frutuosos trabalhos. 
2 Por isso chamava seu corpo de irmão burro, que devia ser submetido a pesadas cargas, apanhar com chicotadas freqüentes e ser sustentado com comida ordinária. 
3 Se via alguém ocioso e à-toa, querendo comer o trabalho dos outros, achava que devia ser chamado de irmão mosca, porque sem fazer nada de bom e estragando as obras boas dos outros, torna-se vil e abominável para todos. 
4 Por isso disse uma vez: quero que meus frades trabalhem e se exercitem para que não fiquem vagueando com o coração e a língua em coisas ilícitas por estarem entregues ao ócio”. 
5 Queria que o silêncio evangélico fosse observado pelos frades, isto é, que se abstivessem solicitamente de qualquer palavra ociosa em todo tempo, porque no dia do juízo vão prestar contas disso. 
6 Mas se encontrasse um frade acostumado a palavras vazias, corrigia-o duramente, 
7 afirmando que a taciturnidade modesta e de coração puro é guarda, e não pequena, da virtude, pois se diz que tanto a vida quanto a morte estão nas mãos da língua (cfr. Pr 18,21), não tanto pelo gosto quanto pela fala.