LÍNGUAS CLÁSSICAS

Página de Estudos das Fontes Pesquisadas

  • Fontes Franciscanas
  • Fontes Biográficas
  • São Boaventura
  • Legenda Maior

TEXTO ORIGINAL

Legenda Maior - VI,2

2 
1 Ut autem se caeteris despicabilem redderet, non parcebat rubori, quin in praedicatione coram omni populo proprios manifestaret defectus. 
2 Accidit semel, ut infirmitate gravatus, rigorem abstinentiae pro recuperanda sanitate modicum relaxasset. 
3 Viribus autem corporis utcumque resumptis, verus sui contemptor ad propriae carnis animatus opprobrium: ”Non est”, inquit, “conveniens, ut populus abstinentem me credat, et ego e contrario carnaliter reficiar in occulto”. 
4 Surrexit propterea sanctae humilitatis spiritu inflammatus, et in platea civitatis Assisii populo convocato, solemniter cum fratribus multis, quos secum adduxerat, maiorem introivit ecclesiam, funeque ad collum ligato, nudum cum femoralibus solis in oculis omnium se trahi praecepit usque ad lapidem, in quo malefactores puniendi consueverant collocari. 
5 Super quem conscendens, licet quartanarius esset et debilis, acerbi frigoris tempore cum multo vigore animi praedicavit, audientibusque cunctis asseruit, se non tamquam spiritualem honorandum fore, quin immo tamquam carnalem et glutonem ab omnibus contemnendum. 
6 Igitur qui convenerant, tam ingenti viso spectaculo, admirati sunt, et quia ipsius austeritatem iam noverant, devoto corde compuncti, humilitatem huiusmodi magis admirabilem quem imitabilem proclamabant. 
7 Licet autem id magis videatur portentum fuisse (cfr. Is 20,3) instar prophetalis vaticinii quam exemplum, tamen vere documentum exstitit humilitatis perfectae, 
8 quo Christi sectator instruitur transitoriae laudis praeconium debere contemnere, tumentis quoque iactantiae comprimere fastum et fraudulentae simulationis mendacium confutare.

TEXTO TRADUZIDO

Legenda Maior - VI,2

2 
1 Para tornar-se desprezível diante dos outros, não se envergonhava de manifestar diante de todo o povo os próprios defeitos, na pregação. 
2 Uma vez aconteceu que, agravado pela doença, relaxou um pouquinho o rigor da abstinência para recuperar a saúde. 
3 Mas quando recuperou e tudo as forças do corpo, como verdadeiro desprezador de si mesmo e animado para envergonhar a própria carne, disse: “Não é conveniente que o povo ache que eu faço abstinência e que eu, pelo contrário, esteja carnalmente comendo escondido”. 
4 Por isso levantou-se, inflamado pelo espírito da santa humildade, convocou o povo na praça de Assis e, solenemente, com muitos frades que levou consigo, entrou na igreja maior com uma corda amarrada no pescoço, e mandou que o levassem diante de todos, despido, só com os calções, até a pedra em que costumavam colocar os malfeitores que tinham que ser punidos. 
5 Subindo nela, embora estivesse com febre quartã e enfraquecido, pregou com muito vigor de ânimo num tempo de frio cortante, e afirmou para todos os que estavam ouvindo que ele não devia ser honrado como um homem espiritual, mas antes devia ser desprezado por todos como um carnal e glutão. 
6 Os que tinham comparecido, vendo todo esse espetáculo, ficaram admirados, e como já conheciam sua austeridade, compungidos com um devoto coração, proclamavam que sua humildade era mais admirável do que imitável. 
7 Embora isso mais pareça um portento que um exemplo, de acordo com o vaticínio profético, fica na verdade como um documento da perfeita humildade, 
8 pelo qual o seguidor de Cristo é instruído a ter que desprezar o elogio de um louvor transitório, a esmagar a grandeza da jactância que incha e a confutar a mentira da simulação fraudulenta.